<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013</id><updated>2011-08-01T19:24:35.700+01:00</updated><title type='text'>Cem Anos</title><subtitle type='html'>Textos ficcionais. Poesia. Prosa.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>40</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-2942772471866774700</id><published>2010-04-03T03:58:00.003+01:00</published><updated>2010-04-03T04:01:57.926+01:00</updated><title type='text'>Amor lindo</title><content type='html'>Vai meu amor lindo e abre aquela janela de par em par,&lt;br /&gt;Derruba mais este excessivo muro tenebroso;&lt;br /&gt;Acolhe-me com calor no teu amplexo singular,&lt;br /&gt;Concede-me ser o enamorado mais orgulhoso.&lt;br /&gt;Destrói aquelas incómodas construções maniatantes,&lt;br /&gt;Faz luz sobre a sobranceira escuridão que nos cerca.&lt;br /&gt;Seremos para sempre ricos eternos amantes,&lt;br /&gt;Sem espaço nesta praça faustosa em que se merca&lt;br /&gt;A mesquinhez com as sensibilidades prendidas.&lt;br /&gt;Como sinal, desfilaremos com um girassol,&lt;br /&gt;Construiremos elegantes ruas e avenidas,&lt;br /&gt;Caminharemos até chegarmos ao pôr-do-sol.&lt;br /&gt;Este é o nosso caminho que assim marcamos na lama&lt;br /&gt;E também na relva verde ou na areia dourada.&lt;br /&gt;Percebemos contudo que nem sempre a vida aclama&lt;br /&gt;Aqueles por quem é mais verdadeiramente amada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai e abre essa janela de par em par, ó meu amor lindo.&lt;br /&gt;De qualquer modo, teremos realmente arriscado:&lt;br /&gt;Não caminhámos até aqui lamentando e carpindo,&lt;br /&gt;E teremos caminhado sempre lado-a-lado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-2942772471866774700?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/2942772471866774700/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=2942772471866774700' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/2942772471866774700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/2942772471866774700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2010/04/amor-lindo.html' title='Amor lindo'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-6193362044387992743</id><published>2010-02-26T01:59:00.002Z</published><updated>2010-04-03T04:56:11.749+01:00</updated><title type='text'>Madeira</title><content type='html'>Face ruborescida e olhar baço e inquieto&lt;br /&gt;Caminhavas nervosamente em passo incerto&lt;br /&gt;Procuravas guardar em teu seio a esperança&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrando mãe feroz a quem um predador&lt;br /&gt;Cruel e sanguinolento inflige a atroz dor&lt;br /&gt;De abster a progenitora da sua criança&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ávida de boas novas como de sossego&lt;br /&gt;Alheavas-te e assim vias a branco e negro&lt;br /&gt;O filme a cores do rebento em teu regaço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num pranto amargo de cólera olhaste o céu &lt;br /&gt;Exigiste irada como direito teu&lt;br /&gt;Não da vil ceifeira o seu derradeiro abraço&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-6193362044387992743?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/6193362044387992743/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=6193362044387992743' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/6193362044387992743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/6193362044387992743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2010/02/madeira.html' title='Madeira'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-3961027061694512441</id><published>2009-09-10T01:50:00.008+01:00</published><updated>2010-01-13T14:34:52.817Z</updated><title type='text'>O que falta dizer já não fará qualquer diferença</title><content type='html'>- Quero o divórcio.&lt;br /&gt; - Como?&lt;br /&gt; - Ouviste-me: quero o divórcio.&lt;br /&gt; - Queres divorciar-te? Mas como? Quer dizer, porquê? Quando? O que se passa? Porque te queres divorciar?&lt;br /&gt; - Acho que a nossa relação já não resulta, já não funcionamos bem como casal. Acho que o devemos assumir e seguirmos independentemente a nossa vida.&lt;br /&gt; - Já não resulta? Mas como não resulta? Já não funcionamos como casal? Que palermices são estas? Que discurso é este? Tu nunca foste de pseudopsiquiatrices, nunca usaste palavreado de revista feminina... O que se passa? Eu não consigo compreender o que poderá estar por detrás disto...&lt;br /&gt; - Obrigado por reduzires as minhas sensações a psicologia de revista feminina. E não está nada por detrás disto, está apenas isto, que aqui te estou a transmitir. Eu não estou feliz, já não estou feliz, no nosso casamento.&lt;br /&gt; - Já não estás feliz? Mas como, assim, de um momento para o outro? Quando é que deixaste de ser feliz? Ontem eras feliz e hoje já não te sentes feliz casada comigo? Ou já te sentes infeliz há muito tempo? Eu não me apercebi de nada, eu julguei-te feliz... Eu sou feliz contigo...&lt;br /&gt; - Talvez essa seja uma parte do problema: tu julgaste-me feliz!&lt;br /&gt; - E porque não? Eu era feliz, tu eras feliz, ou, pelo menos, foste feliz, agora dizes-me que já não és feliz, não sei como, não sei porquê... Fui eu que fiz alguma coisa? Disse alguma coisa? Eu mudei nalguma coisa? Que raio de coisa fiz eu para tu deixares de ser feliz, muito queria eu saber...&lt;br /&gt; - Tu não mudaste, és o mesmo, mas talvez eu tenha mudado.&lt;br /&gt; - Com certeza mudaste!&lt;br /&gt; - Poupa-me à tua agressividade, por favor.&lt;br /&gt; - Desculpa-me, mas eu estou perturbado, sinto-me completamente descoroçoado, o céu caiu-me sobre a cabeça!&lt;br /&gt; - E, já agora, aos lugares comuns...&lt;br /&gt; - Oh, perdoa-me se não reajo com brilhantes e esmagadoras figuras de estilo e com ribombante retórica à notícia de que a minha mulher se quer divorciar de mim!&lt;br /&gt; - Tu obviamente não estás a reagir de uma forma madura, talvez seja melhor ficarmos por aqui...&lt;br /&gt; - Eu quero perceber o porquê, se ao menos entendesse o que te levou a esta decisão... espera! Tu tens outro, é isso? Apaixonaste-te por outra pessoa?... Porque me olhas com desprezo? De que te ris, trocista? Acertei, não foi, vais viver com outro?&lt;br /&gt; - Hesitei se deveria rebaixar-me, respondendo-te, e beliscar o teu orgulho de macho, mas vou satisfazer a tua curiosidade: não, não tenho outro, não estou apaixonada por outra pessoa, não vou viver com ninguém. Percebo que para ti seria até mais confortável se eu quisesse o divórcio porque estivesse apaixonada por outro homem, mas lamento desiludir-te: não há aqui quaisquer terceiras pessoas envolvidas, é uma decisão minha e tem apenas a ver com a forma como eu vejo actualmente a nossa relação.&lt;br /&gt; - Agradeço-te que me dispenses da tua psicanálise. Nem sei como ousas falar no meu conforto, nesta situação. A minha mulher, do nada, diz-me que se quer divorciar de mim. E eu tenho de encarar isto com desportivismo e sobranceria, porventura, com um sorriso nos lábios. Tenho de ser adulto, desejar-lhe boa sorte e ir-me embora contente e satisfeito. Tenho de me abster de perceber o que faz a minha mulher desistir de um casamento estável, feliz – assim o vejo – e eterno. Sim, eterno, não foi isso que prometemos um ao outro? Não o sentiste, quando mo disseste? Não foste sincera? Não acreditavas realmente que o nosso casamento seria eterno quando nos beijávamos ao pôr-do-sol e partilhávamos framboesas junto ao mar? Prometeste-me a eternidade... a eternidade do teu amor, do nosso amor!&lt;br /&gt; - Não sejas piegas, peço-te. É claro que senti tudo isso quando to disse, é claro que vivi intensamente todos esses momentos, mas um casamento não é uma masmorra, não temos que nos sentir aprisionados por palavras ou memórias passadas. As pessoas mudam e eu, provavelmente, mudei. A eternidade parece-me agora muito tempo e eu já não ta posso oferecer. Preciso de encontrar o meu caminho e lamento pensar que esse caminho já não é o teu caminho, o nosso caminho... Se tivéssemos continuado a percorrê-lo juntos, estou certa de que iríamos ter aonde queríamos, aonde desejávamos, aonde planeámos, mas agora já não me parece que seja aí que eu queira ir ter. Quero experimentar outro caminho, sem planos, por minha conta e risco, e sentir-me livre.&lt;br /&gt; - Livre? Mas eu, por acaso, alguma vez te prendi? Alguma vez cerceei a tua liberdade? Não fizeste sempre o que querias? Não tiveste sempre os teus amigos, os teus programas... eu alguma vez interferi? Que liberdade pretendes? Eu posso oferecer-te toda a liberdade!&lt;br /&gt; - Não me podes oferecer a liberdade de ser sozinha...&lt;br /&gt; - Sozinha? Mas tu queres-me deixar para viveres na solidão? Trocas-me pelo isolamento, pela escuridão? Alguma vez na vida estiveste realmente sozinha? Ou só a queres porque nunca a tiveste? Garanto-te que a solidão não é algo que se deseje...&lt;br /&gt; - Registo o teu conselho paternalista, mas eu não pretendo viver na solidão. Apenas não quero ter a minha vida coarctada pelo casamento, nesta altura, não é o que me apetece.&lt;br /&gt; - O que te apetece? Mas tu pões em causa um casamento feliz – insisto!- porque não é o que de momento te apetece? Tens a certeza de que ponderaste bem este passo? Não achas que o nosso casamento - não achas que eu mereceria outra gravidade? Que ligeireza eu noto nas tuas palavras...&lt;br /&gt; - Se elas transmitem ligeireza, não deviam, porque esta foi uma decisão muito ponderada e também muito sofrida. Não foi tomada de ânimo leve, posso assegurar-te. Para mim, poderia até ser mais fácil continuar, deixar-me seguir embalada pela vida, mas, infelizmente, isso já não me é possível, impõe-se-me esta decisão. Acredita que lamento por ti, lamento por nós, mas para haver nós eu teria de estar no nosso casamento de corpo e alma e eu descobri-me eu com uma violência que arrasa tudo o resto. Nós... nós atavam-me e eu tive que me libertar...&lt;br /&gt; - Lamentas, mas vais-te embora e deixas-me. E eu?&lt;br /&gt; - Tu?&lt;br /&gt; - Sim, eu. Eu, que te amo. Que te amo ainda, ainda e sempre. Eu, que tenho um orgulho desmesurado em ti, no nosso casamento, na nossa realização. Eu, cujo dia mais feliz da minha vida foi quando desci, ufano, pelo corredor da igreja de braço dado contigo, ou talvez tenha sido aquele outro em que eu te perguntei e tu disseste sim, sorrindo. Eu... eu que me sinto agora a desmembrar com esta notícia, que sinto as minhas entranhas a revolverem-se em agonia, a desfazerem-se em sangue, a dilacerarem-se com fúria. Eu... eu... que sinto já que te perdi, temo que para sempre, que te perdi, a ti... que és a minha vida, foi para ti que eu vivi desde sempre e foi contigo que eu vivi durante todos estes anos... e agora perdi-te, não sei como, não sei porquê e não sei o que poderia ter feito de diferente e sinto que provavelmente não haveria nada de diferente que eu pudesse ter feito e, mesmo assim, ter ficado contigo para sempre, como tínhamos prometido um ao outro... e não consigo compreender como é que isso, que eu disse do meu âmago e que eu sei que tu também disseste, isso – vivermos juntos para sempre! –, isso, que é simplesmente tudo para mim, tem-no sido desde que o dissemos, se calhar, sempre o fora, isso, que é tudo, que para ti, sei-o, já foi tudo, agora é nada. Nada! E isso dói-me mais do que tudo.&lt;br /&gt; - Por favor, controla-te um pouco, não tornes isto ainda mais difícil.&lt;br /&gt; - E a eternidade, a eternidade do nosso amor, do nosso casamento, a nossa eternidade... nada! E abre-se-me agora diante dos olhos uma outra eternidade, ainda mais longa, mas também mais escura, uma eternidade feita de soluços, de diafragma em convulsão, de pulmões atrofiados, uma eternidade longa, longa, longa, sem ti... e isso será tudo!&lt;br /&gt; - Nunca pensei que reagisses assim, pensei que poderíamos discutir calma e elevadamente esta situação desagradável como dois adultos responsáveis que somos, mas vejo que insistes em reagir emocionalmente e que te recusas a adoptar uma atitude racional perante a minha decisão. Julgo que assim só tornas as coisas mais difíceis para ambos.&lt;br /&gt; - Desculpa-me se não te facilito as coisas, mas, para mim, esse será o meu derradeiro e frívolo troféu. Antes assim. Não te vou deixar sair airosamente disto, como quem decide deitar fora uma lâmpada fundida ou decide deixar de usar uma camisola velha. Para mim, isto seria sempre difícil. Difícil? Que digo eu, isto é meramente insuportável! É o fim!... Porque haveria de ser fácil para ti? Porque haveria eu de me preocupar contigo ou com o que possas sentir agora? Acaso consideraste tu as minhas emoções, os meus sentimentos, aquando da tua fantástica decisão? &lt;br /&gt; - Desconhecia-te essa vertente vingativa e descontrolada. Não queiras, rapidamente, tornar-me as coisas fáceis, demasiado fáceis.&lt;br /&gt; - Ó humilhação, suprema humilhação! A que profundezas poderá um homem rebaixar-se? Homem já não sou, sou um animal, uma víscera que se decompõe ante os teus olhos, para teu deleite... Que espectáculo, meu Deus, que degradação!... E ainda ter que ouvir as tuas ameaças condescendentes... Toma: usa-me! Abusa-me! Sou um farrapo nas tuas mãos, faz de mim o que quiseres... &lt;br /&gt; - Pára! Mantém a tua dignidade, o que resta dela, pelo menos.&lt;br /&gt; - De que me serve a dignidade? De que me serve o amor-próprio? Amor, tenho-o, mas só por ti. Agora vou ter que o matar... Cresceu-me na pele, no cabelo, nos órgãos interiores, nos ossos, em todo o lado. Disseminou-se-me em mim. E agora vou ter que o matar. Mas como poderei eu matá-lo sem me matar a mim?&lt;br /&gt; - Creio que exageras no melodrama. E espero que não estejas a fazer uma daquelas ridículas ameaças de suicídio que alguns homens fazem quando sentem a sua segurança desmoronar-se-lhes...&lt;br /&gt; - Segurança? Não apouques a minha mais bela realização, o meu maior motivo de orgulho. A segurança era – porque não? – apenas uma pequena componente do nosso casamento. Não me parece demeritório...&lt;br /&gt; - A mim não me parece meritório. A segurança, nesta fase da minha vida, sufoca-me, prende-me, corta-me as asas. A segurança entedia-me e contribui para a monotonia que eu sentia no nosso casamento.&lt;br /&gt; - Ahh... Já falas dele no passado... Senti um punhal no estômago... Mas um casamento tem que ser monótono! Faz parte da sua constituição! Apenas os casamentos breves poderão elidir-se a essa fatalidade. Mas os casamentos a sério, os verdadeiros casamentos, eternos, como o nosso, terão forçosamente que ser monótonos. Não poderá haver pores-do-sol todos os dias, nem tampouco corridas na areia ou mergulhos no mar, não poderá haver jantares românticos quotidianamente, nem prendas, surpresas, inovações, factos inesperados ou prazeres imprevistos. Terão que existir inevitavelmente momentos de tédio, de fastio, de enfado ou até de aborrecimento, apenas aliviados pela circunstância de os partilharmos com quem mais amamos. A eternidade é longa e uma eternidade de plena felicidade seria... entediante. Inverosímil também. O casamento pode ser um carrossel, até uma montanha-russa, nalguns dias, mas noutros é simplesmente um pequeno barco parado num enorme lago plácido de águas paradas.&lt;br /&gt; - Compreendo que faças a apologia do casamento, dadas as circunstãncias; compreendo também que estejas magoado e sentido comigo. Acredita que lamento e que preferia que as coisas se tivessem passado de modo diferente. Passaram-se, contudo, assim e eu tenho de ser coerente comigo em cada momento, ainda que isso queira dizer que estou a ser incoerente comigo em momentos diferentes. Quando casei contigo, era para todo o sempre. Acreditava-o e desejava-o. Não te menti, não te enganei e também não me enganei a mim própria. No entanto, agora já não sinto da mesma forma. Sinto que nós já não fazemos sentido, pelo menos, já não me sinto confortável imaginando-nos, desculpa a vulgaridade, a envelhecer juntos. Eu não quero envelhecer contigo.&lt;br /&gt; - Essa afirmação é de uma violência atroz!&lt;br /&gt; - Desculpa-me, mas é mesmo assim: eu não quero envelhecer contigo. Já o quis, acho que já o quis, mas agora já não o quero. Não te sei dizer porquê, não sei o que mudou em mim, em nós, não sei se mudou algo em ti, só sei dizer que olho para o futuro e vejo-me a percorrer um caminho de sol e alegria. E, ao lado, vejo o negrume do nosso caminho... Tenho de sair aqui. Tenho de seguir o meu caminho.&lt;br /&gt; - Mas porquê? Porque não continuas no nosso caminho, ainda que o vejas negro?&lt;br /&gt; - Falas a sério?&lt;br /&gt; - Sim...&lt;br /&gt; - Porque o faria?&lt;br /&gt; - Por nós... por mim.&lt;br /&gt; - Pedir-me-ias?... Então, não falas? Diz-me: pedir-me-ias?&lt;br /&gt; - Sim!... Não...&lt;br /&gt; - Então, em que ficamos? Pedir-me-ias realmente?&lt;br /&gt; - Teria que to pedir?&lt;br /&gt; - A pergunta é: valeria a pena pedires-mo?&lt;br /&gt; - E então? Valeria?&lt;br /&gt; - Só o saberás se mo pedires. Faze-lo?&lt;br /&gt; - Faço... Faço! Anda percorrer o nosso caminho, ainda que o vejas negro e triste, vem calcorrear ainda uma última vez o nosso trilho e eu provar-te-ei que também poderá ser soalheiro e alegre. Vem, vem comigo...&lt;br /&gt; - Nunca acreditei que o pedisses realmente.&lt;br /&gt; - Nunca subestimes um homem apaixonado!&lt;br /&gt; - Eu diria antes desesperado.&lt;br /&gt; - Seja! Que me importa isso agora?... E que dizes então? Que respondes?&lt;br /&gt; - Será realmente possível que o teu desespero te impeça de raciocinar, de ver? Não consegues perceber? Não consegues perceber que o que me pedes é de uma tirania inaudita, avassaladora e... lamento-o... impossível.&lt;br /&gt; - Não consigo acreditar que te queiras divorciar de mim porque sim!&lt;br /&gt; - Eu, infelizmente, consigo acreditar que tu, realmente, não entendes nada...&lt;br /&gt; - Eu sou uma pessoa simples: amo-te e sei que me amas. Não consigo ver qualquer complexidade nisto...&lt;br /&gt; - Talvez porque sejas, deveras, uma pessoa simples. Acredita que há muita complexidade no amor.&lt;br /&gt; - Então não desmentes que ainda me amas?&lt;br /&gt; - Oh, francamente, começo a irritar-me com os teus joguinhos infantis... O amor não está aqui em discussão.&lt;br /&gt; - Como não? Pois se eu te amo e se tu me amas, por que carga de água nos havemos de separar?&lt;br /&gt; - Eu não sei se te amo. Eu... quero-te bem... Mas nada disto importa, o amor não é relevante para o caso.&lt;br /&gt; - Não é relevante? Realmente, não entendo nada...&lt;br /&gt; - Eu, eu sou relevante. E tu, tu também deverias ser relevante. O que te diz o teu eu? Não o ouves, não o escutas? O meu, neste momento, impõe-se-me, domina-me. É algo que me extravasa.&lt;br /&gt; - Que reconfortante! És apenas uma vítima de ti, ou melhor, do teu... eu! Afinal, não tens culpa de nada!&lt;br /&gt; - Culpa? Ah! Ah! Ah! Acredita que não tenho culpa nenhuma. Não me sinto culpada, mas também não vou dizer que sou uma vítima.&lt;br /&gt; - E ris-te?&lt;br /&gt; - Desculpa, conceitos como a culpa fazem-me rir: a culpa é uma invenção da moral e eu prefiro reger-me pela minha ética.&lt;br /&gt; - E a tua ética diz-te que deves ouvir o teu eu, mesmo que isso implique destruir o nosso nós? A tua felicidade pessoal está acima do nosso casamento?&lt;br /&gt; - Não acredito! Tu estás-te a ouvir?... Não achas que a felicidade individual estará sempre acima de qualquer convenção social?&lt;br /&gt; - O nosso casamento não é uma mera convenção social. É mais do que isso... é... Somos nós!&lt;br /&gt; - Libertei-me de nós!&lt;br /&gt; - Há nós de que eu não me quero libertar! Nunca!&lt;br /&gt; - Tenho pena de ti.&lt;br /&gt; - A tua ética permite-to? &lt;br /&gt; - Ter pena de ti? A minha ética inflige-mo!&lt;br /&gt; - E no entanto abandonas-me...&lt;br /&gt; - Evidentemente. Não haverias de querer que o não fizesse.&lt;br /&gt; - Claro que quereria! Pois se é tudo o que eu mais quero!&lt;br /&gt; - Não te sentirias bem sabendo que eu continuava apesar do que sinto em relação ao nosso casamento.&lt;br /&gt; - Ah, não me sobrestimes nem te iludas com os meus princípios. De momento, era o que eu mais queria, independentemente do que possas sentir...&lt;br /&gt; - Nem sequer acredito que acredites no que estás a dizer.&lt;br /&gt; - Eu quero-te comigo, a meu lado, para sempre! Nada mais me importa!&lt;br /&gt; - Viverias comigo sabendo que eu era infeliz a teu lado?&lt;br /&gt; - Eu far-te-ia feliz!&lt;br /&gt; - Agora sou eu que te aviso: não te sobrestimes! Neste momento, é-me claro que só serei feliz fora do nosso casamento.&lt;br /&gt; - Neste momento! Dizes sempre neste momento! Como podes tomar uma decisão desta envergadura se nem estás certa de poderes mudar de ideias no futuro?&lt;br /&gt; - O meu neste momento é dito em oposição ao passado e não ao futuro. Digo neste momento porque tenho consciência de que no passado senti de modo diferente, mas sei, neste momento, que esse tempo terminou. E não voltará.&lt;br /&gt; - Não podes estar tão certa, não podes... O teu amor por mim não se pode diluir em meia dúzia de semanas nem em meia dúzia de meses! Não pode! É demasiado forte, sei-o bem!... Não queres meditar mais um pouco na tua decisão, não queres tirar um tempo para pensar?&lt;br /&gt; - Um tempo? Por favor, já não somos adolescentes... Espero que percebas que decidi termos esta conversa depois de muita ponderação. Necessitei de toda a minha coragem para o conseguir fazer.&lt;br /&gt; - Coragem! Coragem? Que coragem será necessária para virares costas a um casamento feliz? Que coragem será necessária para deixares de rastos alguém que te ama profundamente? Coragem seria continuares; assim, ao que fazes, chama-se fugir. É o caminho mais fácil!&lt;br /&gt; - Percebo perfeitamente que para ti seria sempre mais fácil continuares, não importa o que acontecesse, não importa o que se passasse. Para mim, seria também mais fácil continuar, por outras razões, mas não o conseguiria fazer nunca. Tenho de sair aqui.&lt;br /&gt; - Por achares que o não conseguirias fazer, não o tentas, sequer. Tal como eu digo, escolhes a opção mais fácil: desistir.&lt;br /&gt; - Não é a opção mais fácil: é a única opção! Mas também tu, se decidisses continuar depois desta conversa, estarias a desistir. Noutro sentido, mas também a desistir.&lt;br /&gt; - Assumes que desistes?&lt;br /&gt; - Não me tentes enredar outra vez nos teus jogos de linguagem. Chama-lhe desistir, se te faz feliz. Para mim, é apenas reinvestir. Reinvestir na vida, reinvestir em mim.&lt;br /&gt; - E porque não tentas reinvestir em nós?&lt;br /&gt; - Já não há nós.&lt;br /&gt; - Como o podes decretar, unilateralmente? Eu não tenho nada a dizer sobre isso?&lt;br /&gt; - Infelizmente, já não tens.&lt;br /&gt; - Não há nada que eu possa fazer, nada que eu possa dizer, que te faça reconsiderar a tua decisão?... Por favor... Sê razoável...&lt;br /&gt; - Lamento.&lt;br /&gt; - É a tua posição definitiva?&lt;br /&gt; - Sim.&lt;br /&gt; - Neste momento, odeio-te.&lt;br /&gt; - Pensei que me amavas...&lt;br /&gt; - Divertes-te com isto?&lt;br /&gt; - Não, desculpa. Eu sei que foi um grande choque para ti, mas nada poderia fazer para o mitigar.&lt;br /&gt; - Para o mitigar, não; poderias era tê-lo evitado.&lt;br /&gt; - Sabes que não.&lt;br /&gt; - Sim... Começo a perceber que não... Tu dóis-me!&lt;br /&gt; - Eu?&lt;br /&gt; - Sim. Tu. Tu e a eternidade. Tu e o definitivo.&lt;br /&gt; - Percebo... Mas repara que eu não morri...&lt;br /&gt; - É o mesmo... eu morri para ti. Nós morremos. Mas eu não te consigo matar em mim, nem a ti nem ao nosso amor.&lt;br /&gt; - Não sei o que mais possa dizer...&lt;br /&gt; - Não... não há mais nada para dizer.&lt;br /&gt; - Já foi tudo dito.&lt;br /&gt; - Talvez não, mas é como se o tivesse sido porque o que falta dizer já não fará qualquer diferença.&lt;br /&gt; - É triste.&lt;br /&gt; - É triste.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-3961027061694512441?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/3961027061694512441/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=3961027061694512441' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/3961027061694512441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/3961027061694512441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2009/09/o-que-falta-dizer-ja-nao-fara-qualquer.html' title='O que falta dizer já não fará qualquer diferença'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-1491739124593619506</id><published>2009-01-13T00:15:00.001Z</published><updated>2009-01-13T00:19:49.717Z</updated><title type='text'>Comandante</title><content type='html'>Saltem para o barco que piloto os que já se sentiram ridículos, os que já coraram até às raízes do cabelo, os que já se enganaram, os que já se perderam, os que já amaram sem esperança, os que já naufragaram, os que já deambularam sem direcção, os que já foram defraudados pelas suas escolhas, os que já desafinaram, os que já tiveram medo, os que já se expuseram às críticas e aos apupos, os que já foram apanhados pela tempestade, os que já foram derrotados uma e outra vez, os que já arriscaram sem sucesso, os que já desiludiram os seus, os que já hesitaram nas palavras, os que já foram traídos pelas suas opções, os que já sucumbiram às emoções, os que já foram infiéis ao seu coração, os que já apunhalaram os seus sonhos, os que já desesperaram na solidão, os que já tremeram com o frio da madrugada, os que já enterraram a sua coragem, os que já escorregaram e caíram, os que já atraiçoaram, os que já foram atraiçoados, os que já desistiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o vosso barco. Eu sou o vosso Comandante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-1491739124593619506?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/1491739124593619506/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=1491739124593619506' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/1491739124593619506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/1491739124593619506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2009/01/comandante.html' title='Comandante'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-9107224457248623614</id><published>2008-11-01T03:46:00.000Z</published><updated>2008-11-01T03:47:13.850Z</updated><title type='text'>A luz da falésia</title><content type='html'>Bem aventurada a luz que te complementa o corpo, quiçá a alma. A luz que esqueces por a trazeres sempre na lembrança e a luz que despes mesmo quando é traje que te complementa o ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luz de que não se sente a presença, por vezes, por nunca se ter ausentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luz que só não é, por vezes, porque já é tudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-9107224457248623614?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/9107224457248623614/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=9107224457248623614' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/9107224457248623614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/9107224457248623614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2008/11/luz-da-falsia.html' title='A luz da falésia'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-1303117580480872568</id><published>2008-11-01T03:29:00.001Z</published><updated>2008-11-01T03:31:22.121Z</updated><title type='text'>Teatro</title><content type='html'>Um palco&lt;br /&gt;Um velho palco abandonado&lt;br /&gt;Triste desamparado velho palco abandonado&lt;br /&gt;Com um foco de luz que incide numa fenda duma tábua&lt;br /&gt;Que range quando pisada&lt;br /&gt;E que cederá não tarda&lt;br /&gt;Pois está velha gasta desamparada&lt;br /&gt;E podre suja e carunchosa&lt;br /&gt;E feia&lt;br /&gt;Com um foco de luz que incide sadicamente nela&lt;br /&gt;E ela que exibe uma fenda de forma masoquista&lt;br /&gt;E despudorada&lt;br /&gt;Para uma plateia fria vazia sombria&lt;br /&gt;Com cadeiras que faltam&lt;br /&gt;Estofos esventrados&lt;br /&gt;Fantasmas que vagueiam com saudade e lágrima furtiva&lt;br /&gt;Pelos camarotes da aristocracia finada&lt;br /&gt;E velha&lt;br /&gt;Ecos de ovações júbilos e bravos que ressoam&lt;br /&gt;Nas paredes tristes velhas desamparadas&lt;br /&gt;E tinta descascada&lt;br /&gt;Manchas que mancham e nódoas que doem&lt;br /&gt;Rasgões na cortina dependurada qual enforcado&lt;br /&gt;Cortina que se fechou e já não abrirá&lt;br /&gt;Plateia que se despiu e já não se vestirá&lt;br /&gt;Tábua que apodreceu e já não sustentará&lt;br /&gt;Um triste desamparado velho palco abandonado&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-1303117580480872568?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/1303117580480872568/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=1303117580480872568' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/1303117580480872568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/1303117580480872568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2008/11/teatro.html' title='Teatro'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-6841216336264930705</id><published>2008-07-14T01:04:00.002+01:00</published><updated>2008-07-14T01:15:12.019+01:00</updated><title type='text'>Tranquila agitação</title><content type='html'>Conheço um lago cinzento onde em dias de chuva gaivotas cansadas doutras guerras esperam por horas mais amenas. Um lago imenso onde em tardes soalheiras patos selvagens aterram com frenesi e alvoroço e sabedoria. Um lago sereno onde em noites de Verão peixes prateados são regurgitados pela calma água cálida. Um lago vivo onde em manhãs de neblina fria as libelinhas tímidas são empurradas pelo vento inospitaleiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheço um barco cujos remos cortam a placidez inquietante da tranquila agitação das águas dum lago que me é familiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barco é meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os remos sou eu quem os manobra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-6841216336264930705?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/6841216336264930705/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=6841216336264930705' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/6841216336264930705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/6841216336264930705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2008/07/tranquila-agitao.html' title='Tranquila agitação'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-4062363319994213899</id><published>2008-06-20T01:05:00.004+01:00</published><updated>2008-07-14T01:13:55.584+01:00</updated><title type='text'>Belo pássaro de plumagem azul imponente</title><content type='html'>O belo pássaro de plumagem azul imponente cantava de uma forma tão melodiosa que encantava quem quer que o ouvisse sempre tão afinado sempre tão pujante e eu fui encantado até ele e deleitei-me extasiado maravilhado ouvindo-o num suave transe de prazer e fiquei muito tempo ouvindo-o escutando-o deixei-me viajar na sua música percorri todas as notas da sua melodia permiti que me transportasse para ambientes quentes que me acolhiam e acariciavam e logo regressava para mais uma viagem agora nas asas do seu chilreio agora para paisagens brancas onde se ouviam delicados flocos de neve a dançar tentando ludibriar a fatal gravidade antes de pousarem com um suave plim e engrossarem o manto de alvura silenciosa e de repente a melodia do belo pássaro imponente levava-me noutra viagem para montes e vales e bosques de verde e para rios de azul que serpenteavam entre rochas de granito aquecidas e iluminadas pelos áureos raios do sol e eu não sabia já se era o sol ou a terna música do pássaro azul que me aquecia agora o peito e aproveitando uma breve pausa perguntei ao imponente pássaro de bela plumagem, Porque cantas tu amigo pássaro se tens lindas asas azuis mas estás confinado a esta gaiola dourada porque cantas tu se vês os teus irmãos cruzar os céus mas não podes voar com eles porque cantas tu se do mundo só podes conhecer esta jaula claustrofóbica porque cantas tu amigo pássaro? E ele olhou-me como se tivesse pena de mim e respondeu-me, Porque deixaria de cantar se me está na alma? E eu achei aquela resposta tão bonita mas ao mesmo tempo tão triste que me comovi e comecei a chorar e ele perguntou-me, Mas tu que não estás confinado a nenhuma gaiola dourada tu que podes cruzar os céus em liberdade tu que podes conhecer o mundo porque choras tu? E eu olhei-o com pena e respondi-lhe,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque deixaria de chorar se me está na alma?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-4062363319994213899?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/4062363319994213899/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=4062363319994213899' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/4062363319994213899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/4062363319994213899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2008/06/belo-pssaro-de-plumagem-azul-imponente.html' title='Belo pássaro de plumagem azul imponente'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-3685040589194062030</id><published>2008-04-03T01:46:00.000+01:00</published><updated>2008-04-03T01:48:21.866+01:00</updated><title type='text'>A minha homenagem</title><content type='html'>Um brinde ao copo que não encontrou bebedor&lt;br /&gt;Uma saudação à continência que ficou sem oficial&lt;br /&gt;Uma vénia às cortesãs sem rainha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um aconchego aos cobertores que ficaram órfãos&lt;br /&gt;Uma genuflexão às religiosas privadas de bispo&lt;br /&gt;Um abraço às costas que esperaram sós&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma gentileza ao cavalo sem sela nem cavaleiro&lt;br /&gt;Um bouquet para as mimosas flores sem donzela&lt;br /&gt;Uma ovação para o palco deserto de um teatro abandonado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha homenagem a todos os que ainda não se completaram&lt;br /&gt;E sobrevivem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E resistem&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-3685040589194062030?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/3685040589194062030/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=3685040589194062030' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/3685040589194062030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/3685040589194062030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2008/04/minha-homenagem.html' title='A minha homenagem'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-3872185389933681098</id><published>2007-11-07T01:52:00.000Z</published><updated>2007-11-07T01:55:13.851Z</updated><title type='text'>Até ao fim</title><content type='html'>Amar-te-ei até ao fim desta frase&lt;br /&gt;Até se esgotar o ar que agora tenho nos pulmões&lt;br /&gt;Até esta pequena brisa parar de se sentir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não faço promessas vãs e tolas&lt;br /&gt;Não prometo mais que metade do que cumpro&lt;br /&gt;Não te esqueço até me lembrar de ti&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num momento sou tudo e sou eu&lt;br /&gt;Num momento somos nós&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noutro momento somos nós e somos nada&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-3872185389933681098?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/3872185389933681098/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=3872185389933681098' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/3872185389933681098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/3872185389933681098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2007/11/at-ao-fim.html' title='Até ao fim'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-5947032077936298805</id><published>2007-05-29T00:54:00.000+01:00</published><updated>2007-05-29T00:58:09.809+01:00</updated><title type='text'>Sobre a beleza dos flocos de neve</title><content type='html'>No meu pomar há uma macieira que dá flocos de neve. Em pleno Verão, a macieira fica carregada de pequenos e frágeis flocos de neve. Quando me aproximo e tento colhê-los, desfazem-se na mão. Tento outra vez, com cuidados redobrados, mas o resultado é sempre o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A macieira fica deslumbrante com os ramos vestidos de branco. A beleza de tal visão é hipnótica, ofuscante. O sol incide nos pequenos flocos que, como pequenos prismas de vidro, reflectem muitos sóis de um só. Apetece pegar nos raios de luz e embalá-los no nosso colo, mas eles, furtivamente, escapam-se sempre por entre os dedos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive de aprender a amar sem ter.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-5947032077936298805?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/5947032077936298805/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=5947032077936298805' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/5947032077936298805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/5947032077936298805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2007/05/sobre-beleza-dos-flocos-de-neve.html' title='Sobre a beleza dos flocos de neve'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-7851065945833810262</id><published>2007-02-16T19:28:00.000Z</published><updated>2007-02-16T19:29:01.398Z</updated><title type='text'>Digamos (II)</title><content type='html'>Era de manhã. Estava sol.&lt;br /&gt;Reconciliei-me com a vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-7851065945833810262?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/7851065945833810262/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=7851065945833810262' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/7851065945833810262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/7851065945833810262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2007/02/digamos-ii.html' title='Digamos (II)'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-2540214723728801398</id><published>2007-02-16T19:26:00.000Z</published><updated>2007-02-16T19:28:16.456Z</updated><title type='text'>Digamos (I)</title><content type='html'>Voo. Alto.&lt;br /&gt;Para apenas me cansar e merecer o repouso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-2540214723728801398?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/2540214723728801398/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=2540214723728801398' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/2540214723728801398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/2540214723728801398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2007/02/digamos-i.html' title='Digamos (I)'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-8722079816308184779</id><published>2007-02-16T17:54:00.000Z</published><updated>2007-02-16T18:08:12.860Z</updated><title type='text'>Fragmentos</title><content type='html'>A morrer, que seja contigo&lt;br /&gt;Nesta linha de uma vida só&lt;br /&gt;Ou nesta vida de via única&lt;br /&gt;Para trás não vou&lt;br /&gt;Se és tu quem me leva pela mão&lt;br /&gt;Se és tu&lt;br /&gt;Se ao menos fosses tu…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amores aos molhos&lt;br /&gt;Aos sóis, aos olhos&lt;br /&gt;Nesta geada da manhã da vida&lt;br /&gt;Olho-te pela janela&lt;br /&gt;Imagino-te bela, Cinderela&lt;br /&gt;E amo-te com o meu pensamento&lt;br /&gt;Sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo? O que é o Tempo&lt;br /&gt;Senão uma espera até ti?&lt;br /&gt;O que é a vida, o ar,&lt;br /&gt;A brisa, o sol, o mar,&lt;br /&gt;Senão pedaços de ti, fragmentos de ti&lt;br /&gt;Saudades de ti&lt;br /&gt;Se ao menos me levasses pela mão…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lutar, lutarei, sempre, sempre,&lt;br /&gt;Até à vitória final, até ti&lt;br /&gt;Meu moinho de vento, meu pensamento&lt;br /&gt;Meu lamento, minha querida, minha amiga.&lt;br /&gt;Tentarei se tentares, caminharei se me deixares&lt;br /&gt;Deixa-me tentar, tenta-me, mas não me deixes&lt;br /&gt;Chorar uma lágrima tua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E começar tudo de novo, de novo&lt;br /&gt;Para fazer o mesmo, o mesmo&lt;br /&gt;E para amar-te com o diafragma&lt;br /&gt;Que me constrange a respiração querida suave&lt;br /&gt;Querida, leva-me pela mão suave&lt;br /&gt;E beija-me o âmago, o ego, o sonho&lt;br /&gt;O remorso de não ter sido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho medo de perder-te outra vez&lt;br /&gt;Depois de te ter perdido uma vez&lt;br /&gt;Perder-te agora na eternidade do etéreo&lt;br /&gt;Depois de te ter tido, perdido&lt;br /&gt;No momento do momento que passa.&lt;br /&gt;Um silêncio, um lamento, um suspiro&lt;br /&gt;Olhei… e não eras tu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi amor, dor, suor e ternura e loucura&lt;br /&gt;Riso insano, tristeza doce, querida suave&lt;br /&gt;Suave, levavas-me pela mão que suava&lt;br /&gt;Por mim, que tremia, exaltava&lt;br /&gt;Por ti, que eras vale verde de decepção&lt;br /&gt;Amargura, ressentimento ou perda minhas&lt;br /&gt;Para mim, tu és tudo, tu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algures à frente, adiante, se houver&lt;br /&gt;Estará uma terra de que ouvi falar&lt;br /&gt;Numa história de amor que me contaste&lt;br /&gt;À frente estará um lampião empunhado por ti&lt;br /&gt;Por ti eu irei lá, por ti eu viajarei&lt;br /&gt;Por terras de loucura, dor ou desprezo&lt;br /&gt;Por onde estou e já não saio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, um dia, terei vontade&lt;br /&gt;Mais vontade de te ter, oh amor,&lt;br /&gt;E um dia descobrir-me-ás doce e quente&lt;br /&gt;Suave como uma manhã de geada&lt;br /&gt;Levar-me-ás pela mão pelo teu vale verde&lt;br /&gt;E casinhas caiadas, caladas, casinhas&lt;br /&gt;Onde já não estás, onde nunca estiveste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo espera por nós, querida&lt;br /&gt;Suave como uma pena soprada por ti&lt;br /&gt;Pelo vento que corre do teu peito&lt;br /&gt;Pela brisa que me refresca a alma, a calma&lt;br /&gt;E o tempo corre para ti como um ponteiro para a hora&lt;br /&gt;E agora como uma longa espera espera por ti&lt;br /&gt;Desde que eu desisti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo-te inesquecível porque ainda me lembro&lt;br /&gt;Do hálito a paixão, do calor da tua mão&lt;br /&gt;Das rosas que cheiravam a espinhos quentes&lt;br /&gt;Um dia cravados no meu eu, gelado&lt;br /&gt;Como uma manhã de geada pode ser gelada&lt;br /&gt;Num vale verde de emoção e razão&lt;br /&gt;Sim, sei que depois de ti, perdi-me a mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando estávamos juntos mesmo separados&lt;br /&gt;Quando éramos um mesmo quando dois&lt;br /&gt;Pássaros que rasgavam o céu da manhã&lt;br /&gt;E quando só isso importava, nada mais importava&lt;br /&gt;Quando, quando, quando… quando foi?&lt;br /&gt;Quando, porquê, como, onde? Quando, quando, quando?&lt;br /&gt;E eu odeio-te por não mo dizeres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras incomodam-me, doem-me&lt;br /&gt;Como espinhos quentes retirados do meu eu&lt;br /&gt;Que sou orgulho e pompa, imagem e sedução&lt;br /&gt;Que sou tudo e de quem tu tudo tiraste&lt;br /&gt;Deixando-me nada, agora sou nada, nada importa&lt;br /&gt;Que importa ser resto, detrito de ti, dentro de ti&lt;br /&gt;Quando fora sou peixe em terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite veio cobrir-me de frio e luar&lt;br /&gt;Encheu-me o peito de brisa fria e respirei&lt;br /&gt;Maresia que não lembrava havia mais de dez lágrimas&lt;br /&gt;Um barco no horizonte embalado pelas ondas&lt;br /&gt;Do meu descontentamento enterrado em ti&lt;br /&gt;Acendeu-me uma luz e desejou-me boa noite&lt;br /&gt;Olhei… e não eras tu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um beijo, um beijo e retiro-me, vou-me&lt;br /&gt;Para o quintal da minha imaginação&lt;br /&gt;Viver o que me resta viver, ser o que me resta ser&lt;br /&gt;Um aceno teu pela brisa da manhã&lt;br /&gt;Gelada pela geada madrugadora&lt;br /&gt;E deixar-me-ei levar pela tua mão&lt;br /&gt;Até terras tuas, vales teus, horas tuas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou preso em ti como espinho em rosa&lt;br /&gt;Espero que me saibas aí, contigo&lt;br /&gt;Espero que me sintas aí, sozinho&lt;br /&gt;Espero e não vens, nunca vens, nunca vieste.&lt;br /&gt;Serei eu? Não, sei-o, não me escolheste&lt;br /&gt;Para me levares pela mão até ti&lt;br /&gt;Mas contra o vento e os moinhos investirei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no fim, ah, no fim, serei eu, serei eu e mais ninguém&lt;br /&gt;No fim, restarei eu quando todos os outros desistirem&lt;br /&gt;Por sobre os despojos do teu triunfo&lt;br /&gt;Triunfarei sobre todos os outros, sobre ti&lt;br /&gt;Sobre ti triunfarei sobre o teu vale verde&lt;br /&gt;Que pintarei com o azul do meu rio&lt;br /&gt;Que corre, correu, correrá… até ti.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-8722079816308184779?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/8722079816308184779/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=8722079816308184779' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/8722079816308184779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/8722079816308184779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2007/02/fragmentos.html' title='Fragmentos'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-116222378106300282</id><published>2006-10-30T15:53:00.000Z</published><updated>2006-10-30T19:26:26.556Z</updated><title type='text'>Filme</title><content type='html'>Estava um sol envergonhado. Uma brisa a descambar fazia-se sentir na pele desprotegida. As ruas estavam movimentadas, as pessoas borbulhavam em efervescência, os carros alinhavam-se, monocórdicos. As lojas estavam ainda abertas, mas poucas tinham clientes entre portas. Um cego tocava o seu realejo à porta da igreja enquanto uma semente de cão deambulava pelas redondezas inóspitas de cestinho cingido ao focinho. Uma criança, aos berros, era arrastada pela imprudente mãe e duas velhinhas entretinham-se a mirar uma montra com roupas ousadas. Uma nuvem calou momentaneamente a vergonha do sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sombra assim expandida, junto aos edifícios, apareceu então um velhinho com uma criança pela mão. Vinham devagar, saboreando os passos, observando o que viam. O velho falava e a menina escutava-o, atenta, continuando paulatinamente na sua caminhada. Percebia-se que o idoso já vivera melhores dias: a camisola que trazia estava coçada nos cotovelos, as calças enrugadas como a sua cute, as botas pediam para se juntarem à sua aposentação. Mas um aprumo, um aprumo apesar de tudo, era evidente no seu porte. A menina – sua neta? – estava, por seu lado, irrepreensivelmente vestida, vestidinho de xadrez, sapatos de verniz, laçarotes no cabelo. Ele parecia serenamente conformado, contas feitas, consciência tranquila; a menina não parecia demasiado confiante, demasiado optimista, parecia de uma maturidade precoce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(Ele parecia amargo, contas por saldar, vítima suprema da injustiça; a menina parecia arrogante, convencida, completamente infantil, apesar da idade).&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estacaram. Detiveram-se encostados à parede de uma casa comercial, mas de costas voltadas para a sua montra. Pareciam dois perdigueiros à procura de um qualquer rasto. Havia algo no ar, no ambiente, que lhes chamara a atenção. Olhavam em todas as direcções, por entre a multidão, sobre a multidão, através da multidão. Continuavam de mãos dadas, mas perscrutavam à sua volta, sem palavras, inquietos com a procura do que não tinham a certeza. O sol desenvergonhou-se e aqueceu-lhes o corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontraram! Encontraram-me! Do outro lado da rua, receoso do encontro, vislumbraram-me por entre as pessoas que desfilavam, parcialmente escondido atrás de um lampião público. Por momentos, pensei que me iriam acolher bem; pensei que me iriam chamar para o seu amplexo; pensei que me convidariam para uma trindade de mãos dadas, passeando serenamente pelas ruas. Nesses momentos sorriram-me. Acenaram-me. Cederam... a minha suposição estava certa, haviam-me perdoado e recolheram-me no seu regaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(Mas, afinal, após uma curta hesitação, olharam para mim com desdém, voltaram-me as costas com frieza declarada e seguiram caminho; a sua felicidade era agora evidente; o seu desprezo também...).&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-116222378106300282?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/116222378106300282/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=116222378106300282' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/116222378106300282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/116222378106300282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2006/10/filme.html' title='Filme'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-115868922162440393</id><published>2006-09-19T19:04:00.000+01:00</published><updated>2006-09-19T19:07:01.653+01:00</updated><title type='text'>O banal (III)</title><content type='html'>&lt;em&gt;Vim à janela e olhei a imensidão dos prados… não reparei nos prados, fixei-me na imensidão… e absorvi-a. Voltei-me e deparei com a escuridão da sala… não me apercebi da escuridão, concentrei-me na sala… e integrei-me.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhaste-me, fria. Deveria estar desenquadrado pois levantaste-te e gentil mas decididamente arrastaste-me para ao pé do sofá. Deste dois passos atrás, estudaste o efeito, a luz, o enquadramento, e parecendo agradada com o resultado final, foste sentar-te novamente no cadeirão de braços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reparei na lenha que crepitava na lareira, mas não me lembro se daí vinha algum calor. Vinha sim um silvo constante, perturbador, persistente… mas tu estavas embrenhada no teu livro. Tentei controlar a minha respiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve tempos em que te embrenhavas em mim. Tempos em que ia até à janela, observava os prados e emprestava-lhes imensidão. Em que me voltava para iluminar a sala. Em que me olhavas, desejosa. Em que eu me destacava da mobília, do papel de parede, da decoração. Tempos em que o calor vinha de nós e em que tu silvavas, sequiosa… &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Porém, um dia voltei-me e a sala permaneceu na penumbra… e entreguei-me.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-115868922162440393?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/115868922162440393/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=115868922162440393' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/115868922162440393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/115868922162440393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2006/09/o-banal-iii.html' title='O banal (III)'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-115750297239320757</id><published>2006-09-06T01:35:00.000+01:00</published><updated>2006-09-06T01:36:12.396+01:00</updated><title type='text'>O banal (II)</title><content type='html'>Era loira, bonita, olhos verdes. A sua beleza atraía-nos. Porte altivo, desfazia-se em atenções e simpatias quando lhe falávamos. Graciosa, disponível, amável. Precisava de nós. Era um reflexo que andava à procura do corpo que se ausentara do espelho. E nós éramos esse corpo. Só existia connosco, só fazia sentido connosco, e pedia-nos unicamente que estivéssemos ali, receptivos à sua simpatia. Pedia-nos só que não nos ausentássemos do espelho. De outro modo, morria, definhava, apagava-se. Nós agradecíamos reflexo tão vistoso, jovial, agradável, de corpo tão tosco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a sua necessidade de nós assustava-nos…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-115750297239320757?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/115750297239320757/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=115750297239320757' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/115750297239320757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/115750297239320757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2006/09/o-banal-ii.html' title='O banal (II)'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-115750293847515169</id><published>2006-09-06T01:34:00.000+01:00</published><updated>2006-09-06T01:35:38.500+01:00</updated><title type='text'>O banal (I)</title><content type='html'>Havia um rapaz que se refugiava no silêncio. Observava, sorria raramente, era possível arrancar-se-lhe um ou outro monossílabo, mas a maior parte do tempo apenas estava, existia. O seu sorriso raro era doce. Os seus olhos faiscavam de vida nesses momentos de cedência. As suas orelhas erguiam-se ligeiramente e uma pequena covinha desenhava-se-lhe em cada uma das faces. De imediato, corava e recolhia o seu queixo de encontro ao peito, enviesadamente; os seus olhos baixavam e chegava a dar um passo atrás. Era um sorriso curto. Acabava-se quando dele tomava consciência. Nesses momentos, apertava as mãos nervosamente e voltava ao silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuava a observar-nos, contudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-115750293847515169?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/115750293847515169/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=115750293847515169' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/115750293847515169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/115750293847515169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2006/09/o-banal-i.html' title='O banal (I)'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-115273802639531416</id><published>2006-07-12T21:58:00.000+01:00</published><updated>2006-07-12T22:07:02.316+01:00</updated><title type='text'>Tudo bem contigo?</title><content type='html'>Encontram-me na rua, cumprimentam-me. Perguntam-me: Está tudo bem contigo? E eu fico a pensar… Não, não está &lt;em&gt;tudo&lt;/em&gt; bem comigo. Queres que te conte, queres realmente saber? Ou preferes só: &lt;em&gt;Sim, está tudo bem, e contigo?&lt;/em&gt;, embora, sinceramente, eu não queira saber se está realmente &lt;em&gt;tudo&lt;/em&gt; bem contigo. Claro que desejo que a vida te corra bem; que, no geral, não tenhas tristezas, desgostos, preocupações de maior; mas que esteja &lt;em&gt;tudo&lt;/em&gt; bem contigo… não imagino possível, desculpa-me. Talvez porque eu só possa medir a vida, os outros, pelos meus padrões; talvez por inveja medíocre (não confundir com inveja inspiradora); talvez porque me arrepie o absoluto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não está tudo bem comigo. Eu estou bem e espero que tu estejas bem também…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-115273802639531416?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/115273802639531416/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=115273802639531416' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/115273802639531416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/115273802639531416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2006/07/tudo-bem-contigo.html' title='Tudo bem contigo?'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-114842036519625651</id><published>2006-05-23T22:37:00.000+01:00</published><updated>2006-05-23T22:39:25.196+01:00</updated><title type='text'>Falhámos nós... falhamos nós</title><content type='html'>Queria que fosse possível começar de novo. Queria abrir a janela pela manhã, aspirar o ar fresco, observar a verdura dos prados, acompanhar o voo das andorinhas, ouvir o riso das crianças que brincam e queria começar de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria olhar-te nos olhos e esquecer agruras, amarguras, zangas, amuos e ressentimentos. Queria enterrar dores, memórias que ferem, omissões que cortam momentos de alegria, queria esquecer traições, desilusões e começar de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começar um novo dia, começar uma nova vida. Queria que pudéssemos recomeçar do último sorriso cúmplice, do último pensamento partilhado, do último riso sincero. Recomeçar do tempo em que éramos bons, éramos crédulos, éramos francos, éramos nós. Novo dia, nova vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apagar com uma esponja as horas de dúvida, as horas de desistência, os minutos de raiva, os momentos de desespero. Apagar com uma esponja a falta de esperança, a falta de paciência, a falta de fé em nós. A falta de vontade. A falta de força. A falta de tolerância. A nossa falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E começar de novo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-114842036519625651?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/114842036519625651/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=114842036519625651' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/114842036519625651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/114842036519625651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2006/05/falhmos-ns-falhamos-ns.html' title='Falhámos nós... falhamos nós'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-114409763045595684</id><published>2006-04-03T21:48:00.000+01:00</published><updated>2006-04-03T21:53:50.466+01:00</updated><title type='text'>Por ti tentaria</title><content type='html'>Se um dia&lt;br /&gt;Quisesses retornar à monotonia&lt;br /&gt;Eu retornaria&lt;br /&gt;Pela alegria&lt;br /&gt;De viver mais um dia&lt;br /&gt;Na tua companhia&lt;br /&gt;Em ensaiada harmonia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por ti tentaria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se um dia&lt;br /&gt;Me resgatasses da melancolia&lt;br /&gt;Eu reviveria&lt;br /&gt;Pela poesia&lt;br /&gt;De viver o dia-a-dia&lt;br /&gt;Numa parceria&lt;br /&gt;Que reeditada eu queria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se um dia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, como eu queria&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-114409763045595684?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/114409763045595684/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=114409763045595684' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/114409763045595684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/114409763045595684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2006/04/por-ti-tentaria.html' title='Por ti tentaria'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-114313181380268563</id><published>2006-03-23T16:34:00.000Z</published><updated>2006-03-31T14:32:36.096+01:00</updated><title type='text'>Sabemos ambos</title><content type='html'>Como detesto ver-te assim. Como detesto ver-te assim. Diz-me, diz-me o que se passa… se não podes confiar em mim, em quem confiarás? Deixa-me segurar-te na mão, deixa-me oferecer-te o meu ombro. Confia, confia em mim, sabes que eu estou aqui para ti, sabes que eu estou aqui…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo-te em baixo, vejo-te completamente de rastos, vejo-te com os olhos baços, as mãos trémulas, o sorriso mortiço. Vejo, vejo que sofres, vejo que te custa respirar. Vejo que amargas, que ruminas desgostos. Vejo que estás sob um peso demasiado grande para conseguires continuar sem ajuda. E eu estou aqui, aceita a minha mão…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro o teu riso franco, o teu humor sempre fresco, a gargalhada espontânea, vinda do princípio do mundo, do princípio da inocência, antes da vida. Lembro os teus olhos vivos, um verde sempre esperança, um brilho sempre desejo, uma flamância sempre anseio. Lembro as tuas mãos calmas, fortes, serenas, suaves, doces comigo, pacientes comigo, lembro as tuas mãos comigo. Dá-me agora a tua mão, eu estou aqui…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabes que se cai, toda a gente cai, todos caímos, todos temos as nossas feridas por sarar, as nossas chagas por curar, as nossas penas por voar. Todos já estivemos no escuro, na floresta ventosa, no deserto escaldante, no gelo antárctico, na solidão tenebrosa. Já fomos deportados, condenados, ostracizados, amputados, negligenciados, castigados, amaldiçoados. Muitos de nós ainda lá estão, no chão, no breu, no frio, no exílio, no calvário. Muitos de nós já saíram, levantaram-se, encontraram o sol, o calor, o lar, o conforto de uma mão que se estendeu para eles. Aceita o meu amplexo, o meu abraço, o meu sorriso e reconstrói a tua vida sobre os meus alicerces. Eu estou aqui, eu estou aqui, pega na minha mão…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei, eu sei que chegará um dia, uma altura, um tempo, em que conseguirás respirar sem dor, em que os teus olhos readquirirão o seu brilho, as tuas mãos a sua calma, o teu sorriso a sua força. Eu sei que chegará, chegará um dia, uma altura, um tempo, em que conseguirás andar de novo, correr de novo, voar de novo. E eu sei, sabemos ambos, que um dia não precisarás mais dos meus alicerces para refundares a tua vida, chegará uma altura em que não precisarás mais do meu ombro para chorares, chegará um tempo em que não precisarás da minha mão para te levantares. E eu sei, sabemos ambos, que nesse dia, nessa altura, nesse tempo, breve, voarás já sem penas. Correrás sem dores. Sorrirás sem amargura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu… eu pedir-te-ei então para voltares brevemente. Pedir-te-ei um ombro. Pedir-te-ei uma mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu sei, sabemos ambos, que tu já não estarás aqui…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-114313181380268563?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/114313181380268563/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=114313181380268563' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/114313181380268563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/114313181380268563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2006/03/sabemos-ambos.html' title='Sabemos ambos'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-114256177923530624</id><published>2006-03-17T02:14:00.000Z</published><updated>2006-03-17T16:31:18.756Z</updated><title type='text'>O meu caminho</title><content type='html'>É de pó e suor&lt;br /&gt;É de neve e vento&lt;br /&gt;De mágoa e lamento&lt;br /&gt;Lágrimas e dor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É de árduo trabalho&lt;br /&gt;É de perene tristeza&lt;br /&gt;Condenado à rudeza&lt;br /&gt;De um sol com orvalho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É árdua escalada&lt;br /&gt;É grande padecimento&lt;br /&gt;Alio-me ao vento&lt;br /&gt;Sozinhos na madrugada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De meu só os meus&lt;br /&gt;Nada mais tenho&lt;br /&gt;Só talvez o engenho&lt;br /&gt;De ludibriar Deus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos olhos de sal&lt;br /&gt;Nas mãos de terra&lt;br /&gt;Travo a minha guerra&lt;br /&gt;Enterro o meu punhal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas noites sem ti&lt;br /&gt;Nas rugas do rosto&lt;br /&gt;Mastigo um desgosto&lt;br /&gt;Reconheço que perdi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa tentativa vã&lt;br /&gt;Levanto-me da lama&lt;br /&gt;Alimento uma chama&lt;br /&gt;Que morrerá amanhã&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brindo com vinho&lt;br /&gt;A uma vida que passa&lt;br /&gt;Ergo a minha taça&lt;br /&gt;E sigo o meu caminho&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-114256177923530624?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/114256177923530624/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=114256177923530624' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/114256177923530624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/114256177923530624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2006/03/o-meu-caminho.html' title='O meu caminho'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-114178105868681493</id><published>2006-03-08T01:20:00.000Z</published><updated>2006-03-08T01:24:18.696Z</updated><title type='text'>Almas apenas esboçadas</title><content type='html'>Subiste hesitante a escadaria bafienta&lt;br /&gt;segurando nas mãos o medo possível&lt;br /&gt;Insegura porque prenhe de vida&lt;br /&gt;Insegura porque prenhe de morte&lt;br /&gt;Paraste à porta e levantaste os olhos do chão&lt;br /&gt;fazendo com que eu baixasse os meus&lt;br /&gt;Entrámos naquela sala à média luz&lt;br /&gt;numa tarde de chuva dolorosa que nos apontava o dedo:&lt;br /&gt;“- São eles, os criminosos.”&lt;br /&gt;Nós, os criminosos, entrámos...&lt;br /&gt;Nas tuas mãos o amor maternal desperdiçado&lt;br /&gt;nos teus gritos a dor da ternura violada&lt;br /&gt;no meu silêncio o peso da culpa&lt;br /&gt;de ser cúmplice&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saímos de sonhos desfeitos&lt;br /&gt;Mas que sonhos, que sonhos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonhos de duas almas apenas esboçadas&lt;br /&gt;Sonhos de quem arriscou a felicidade...&lt;br /&gt;E perdeu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matámo-nos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-114178105868681493?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/114178105868681493/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=114178105868681493' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/114178105868681493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/114178105868681493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2006/03/almas-apenas-esboadas.html' title='Almas apenas esboçadas'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-114161155493806844</id><published>2006-03-06T02:16:00.000Z</published><updated>2006-03-06T02:19:14.950Z</updated><title type='text'>Neste tempo</title><content type='html'>Eu cresci, vivi, fui tendo uma vida. As preocupações foram-se acumulando, como é próprio do crescimento, os estudos, o trabalho, a rotina do trabalho… e as relações foram-se sucedendo sem marca, sem cheiro, sem cor. Uma ou outra vez conheci mulheres que valeram a pena, que me ensinaram, que me deram o seu carinho, que me deixaram amá-las, que se mostraram suficientemente enamoradas… Talvez tenha havido uma – duas, por optimismo – que me tenha amado realmente, se é que ela sabia o que era amar. Se é que eu sabia notar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me agora de que houve uma que mo disse explicitamente: &lt;em&gt;Amo-te, Carlos. Amo-te, aos teus olhos, aos teus caracóis. Amo-te, Carlos&lt;/em&gt;. Comovi-me. Acreditei. Beijei-a sofregamente. Já não me lembro se a amava. Eu talvez julgasse que sim. Muito provavelmente, não…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De resto, nada a declarar. Não houve nunca grandes turbilhões interiores nem nunca o tempo se suspendeu enquanto fiz amor. Não houve grandes sobressaltos, grandes taquicardias, grandes desgostos… Tudo q. b., como convinha a um amante cuidadoso, com medo de água fria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não nego que houve alturas de grande investimento; alturas de extrema esperança. Continuo crédulo e, portanto, a princípio tudo me parecia possível, tudo eu desejava. Depois, depois o cinismo sobrepunha-se, o desânimo, o desalento, a decepção. E eu deixava-me invariavelmente seguir sem grandes ondas, sem grandes torrentes, até a outra parte se fartar, se cansar da minha desvergonha. Acabávamos. E eu, grato, procurava outra tu noutra mulher qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, outra tu, ouviste bem. Perguntas-me o que me aconteceu, queres saber de mim após todos estes anos, indagas o que significou o nosso amor adolescente… pois bem, se eu amei alguém, foi a ti porque só então eu poderia amar sem cadafalsos, grilhetas ou sótãos mentais. Sem perjúrio. Sem saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu amei-te. Não tenho medo da palavra: amei-te. No tempo do sol, da praia e do espaço livre, no tempo das mãos hesitantes e dos prazeres desconhecidos, no tempo das noites de estrelas quentes e brisas púberes, no nosso tempo. No tempo em que tínhamos tempo para nos deixarmos amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E desde então quero reviver a nossa relação, reconstruí-la, já não contigo. Quero reviver-te. Ouves? Quero reviver-te! Já não contigo. Sei que já não temos tempo e, por mais tempo que tivéssemos, já não podíamos deixarmo-nos amar. Seria uma fraude. Uma falsificação. Um embuste. E, por isso, procuro-te noutra. Quero o nosso amor noutro. Quero conseguir amar outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vim à procura do sol nesta praia com tanto espaço livre. Mas as minhas mãos já não hesitam e o prazer, conheço-o bem. Chegou a noite, sinto frio sob as estrelas e a brisa envelhece-me. Neste tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabou-se-nos o tempo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-114161155493806844?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/114161155493806844/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=114161155493806844' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/114161155493806844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/114161155493806844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2006/03/neste-tempo.html' title='Neste tempo'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-114117431048439007</id><published>2006-03-01T00:47:00.000Z</published><updated>2006-03-01T00:51:50.496Z</updated><title type='text'>Vou voltar no Verão</title><content type='html'>Vou voltar no Verão&lt;br /&gt;quando ressuscito&lt;br /&gt;No Verão&lt;br /&gt;Sol gaivotas mar&lt;br /&gt;Calor&lt;br /&gt;Amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou voltar no Verão&lt;br /&gt;quando vivo&lt;br /&gt;No Verão&lt;br /&gt;Céu areia ondas&lt;br /&gt;Dor&lt;br /&gt;Amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, se Verão fosse o ano todo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, se o teu amor fosse eterno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou voltar no Verão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-114117431048439007?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/114117431048439007/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=114117431048439007' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/114117431048439007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/114117431048439007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2006/03/vou-voltar-no-vero.html' title='Vou voltar no Verão'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-114079082604947479</id><published>2006-02-24T14:16:00.000Z</published><updated>2006-02-24T14:20:26.060Z</updated><title type='text'>Porquê?</title><content type='html'>Não conseguia perceber porquê. Dava voltas e mais voltas à cabeça, mas definitivamente não conseguia perceber porquê. Porque a odiava? Não sabia, não sabia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempos tinha-a amado. Não há muito tempo. Lembrava-se de há apenas umas semanas atrás sentir o seu coração em pleno alvoroço só pela mera menção do seu nome. Lembrava-se de, há bem poucos dias, a ter olhado nos seus doces olhos verdes e lhe ter declarado o seu amor eterno. Lembrava-se de lhe ter telefonado a meio do dia, há coisa de um mês atrás, só para lhe dizer que era ela a mulher da sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então como é que de repente passara a odiá-la? A desprezá-la? A repugnar-lhe que ela lhe tocasse, a irritar-se sempre que ela lhe fazia uma carícia, a fugir sempre que ela lhe tentava dar um beijo, a zangar-se sempre que ela lhe dizia coisas ternurentas? Como? Como? Como é que alguém que ele achava ser a essência da sua vida se tinha transformado, em tão poucos dias, num fardo demasiado pesado para ser carregado por mais tempo? Não compreendia, não conseguia perceber porquê...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela continuava a amá-lo, seguramente. É certo que nos últimos tempos tratava-o com um certo ressentimento, uma certa amargura, uma certa impaciência. Tudo provocado pela atitude dele para com ela. A princípio, ela achou que seria uma fase, talvez provocada por problemas no trabalho. E ele irritava-se ainda mais por ela responder com ternura à sua agressividade, ao seu desprezo. Depois, a partir de determinada altura, ela começou a impacientar-se, começou a reagir bruscamente à sua frieza, ao seu desdém. E ele redobrou de irritação. As discussões sucediam-se, os desentendimentos, os amuos mútuos. A relação estava a degradar-se. Seria isto que ele realmente pretendia desde o princípio? Obrigá-la a detestá-lo? Obrigá-la a contribuir para o desmoronamento da relação evitando ficar com o ónus exclusivo da culpa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eles tinham sido tão felizes. E ele tinha sido tão feliz. Há bem poucos dias atrás. De repente, algo mudara. Começou a questionar-se, a questionar a relação. Seria mesmo feliz? A sua relação não o estaria a sufocar, a cercear a sua liberdade? Não lhe apetecia agora, passados os primeiros momentos de paixão, experimentar novas sensações, ensaiar novos voos? E esta relação que, subitamente, lhe parecia mais um lastro que lhe pesava do que uma raiz donde se alimentasse... talvez fosse tempo de sair, aproveitando as fricções recentes. Convenceu-se de que os atritos eram um reflexo da degradação da relação, embora soubesse interiormente que eram causados por si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E acabou. Aproveitou uma discussão mais acesa, um desentendimento mais marcado e acabou com a relação. Sentiu imediatamente uma sensação de alívio. Uma sensação de liberdade. Sentiu-se mais leve, mais descansado. Convenceu-se, por uns dias, de que esta era a prova que faltava para demonstrar que realmente já não sentia nada por ela. Tinha-lhe sido tão fácil acabar: não ficara triste, não chorara, não tinha sentido qualquer amargura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora... agora... Já há alguns dias que rebobinava mentalmente toda a sua relação com ela. E sentia que raramente havia sido tão feliz durante tanto tempo... e que o único pecado dela tinha sido amá-lo sem condições e sem folgas, inteiramente. Plenamente. Tinha-o amado a ele, tal como ele era, com todos os seus defeitos, as suas virtudes e as suas dúvidas. E ele não tinha conseguido responder-lhe à altura. Por isso reagiu tão amargamente. Por isso começou a impacientar-se com ela, com a sua dedicação, com a sua lealdade, com o seu amor sempre presente. Por isso sentiu necessidade de espaço, necessidade de respirar, necessidade de se sentir imperfeito. Por isso a começou a odiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso sentiu-se aliviado quando se separou dela. Só que agora, passado este tempo, sente saudades dos momentos de felicidade. Dos momentos de partilha. Dos momentos de companheirismo. Dos momentos de amizade. Dos momentos... com ela. Agora, passado este tempo, sente saudades dela. O ódio deu lugar à ternura. Ao amor, novamente? Ou o amor sempre estivera lá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não conseguia perceber porquê. Dava voltas e mais voltas à cabeça, mas definitivamente não conseguia perceber porquê. Porque a amava? Não sabia, não sabia...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-114079082604947479?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/114079082604947479/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=114079082604947479' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/114079082604947479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/114079082604947479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2006/02/porqu.html' title='Porquê?'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-114053315302777393</id><published>2006-02-21T14:44:00.000Z</published><updated>2006-02-21T14:45:53.053Z</updated><title type='text'>É isto para sempre</title><content type='html'>Na lápide fria varrida pela chuva&lt;br /&gt;Escrevi com o dedo&lt;br /&gt;Escrevi com a cera:&lt;br /&gt;É isto para sempre.&lt;br /&gt;Enterrei-te no meu coração&lt;br /&gt;Pois nada lá pode existir com vida&lt;br /&gt;Pois nada lá pode existir&lt;br /&gt;Lágrima.&lt;br /&gt;O cipreste como minha testemunha&lt;br /&gt;Disse com a minha alma&lt;br /&gt;Disse com a sua seiva&lt;br /&gt;Aqui jaz o amor&lt;br /&gt;O ódio&lt;br /&gt;A loucura&lt;br /&gt;A ternura&lt;br /&gt;Aqui jaz o presente&lt;br /&gt;Para que o futuro seja da saudade do passado.&lt;br /&gt;Puxei pela manga de um anjo que velava&lt;br /&gt;E segredei-lhe ao ouvido&lt;br /&gt;E segredei-lhe aos caracóis&lt;br /&gt;O azul do céu pode ser teu&lt;br /&gt;Mas o azul do mar será sempre nosso&lt;br /&gt;E até as tuas nuvens se lhe rendem&lt;br /&gt;Alimentando-o.&lt;br /&gt;Levantei os olhos para o crucifixo&lt;br /&gt;Que ornamentava o nosso derradeiro leito&lt;br /&gt;E pensei&lt;br /&gt;E sonhei&lt;br /&gt;O que é uma vez divino&lt;br /&gt;É-o sempre&lt;br /&gt;E só é realmente divino o amor&lt;br /&gt;Meu amor.&lt;br /&gt;Atirei um punhado de terra para cima de mim&lt;br /&gt;E voltei-te as costas&lt;br /&gt;E voltei a ti&lt;br /&gt;Para me abraçar ao teu perfume&lt;br /&gt;E dançar o tango da solidão&lt;br /&gt;Ao som das minhas lágrimas&lt;br /&gt;Saudades nossas.&lt;br /&gt;Enquanto o teu espectro se alcandorava às alturas&lt;br /&gt;Lembrei-me que também nós fomos construtores do divino&lt;br /&gt;Cítara de anjos&lt;br /&gt;Raios de lua&lt;br /&gt;Orvalho da manhã&lt;br /&gt;Orvalho da esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei-te&lt;br /&gt;Uma lágrima molhou-me a testa&lt;br /&gt;Uma lágrima fugiu-me.&lt;br /&gt;Chove.&lt;br /&gt;É isto para sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-114053315302777393?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/114053315302777393/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=114053315302777393' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/114053315302777393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/114053315302777393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2006/02/isto-para-sempre.html' title='É isto para sempre'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-114011162066984921</id><published>2006-02-16T17:38:00.000Z</published><updated>2006-02-16T17:40:20.686Z</updated><title type='text'>Como lhe havia prometido</title><content type='html'>Fui ter contigo. As minhas expectativas não eram elevadas, mas estava naturalmente curioso: como serias, rir-te-ias como ela, serias mais bonita, serias tão divertida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi-te e não eras tão bonita como ela. Não tinhas o seu sorriso, não tinhas o seu charme natural. Começámos a falar e pareceste-me divertida, simpática. Infelizmente, não eras tão divertida nem tão simpática (nem tão querida) como ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei desde logo a pensar numa forma de me escapar, de dizer que tinha sido um engano, de inventar uma desculpa para sair dali. Eu sabia que a culpa não era tua, o problema era meu, exclusivamente meu. Comecei a ficar cada vez mais desconfortável, não aguentava ter de continuar com aquela pequena farsa. Tu falavas e eu ia acenando, sorrindo aqui e ali, dizendo qualquer coisa em concordância. Mas a pensar, sempre a pensar, isto foi um erro, não deveria ter vindo, quero ir-me embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julgo que acabaste por te aperceber do meu desconforto. Presumo que também tenhas ficado desconfortável, mas era difícil encontrar uma saída airosa para a situação. Tínhamos combinado encontrar-nos para lanchar, talvez irmos ao cinema de seguida. Ainda não tínhamos começado a lanchar e já estávamos os dois desconfortáveis, mas o que fazer? Inventar uma desculpa? Arranjar um pretexto para sair? Sim, mas qual?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tive pena por ti; tu pareceste-me uma pessoa independente, de personalidade marcada e bastante agradável. Sabia que algo de bom te estaria reservado. E sabia que eu não era isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive pena por mim. Continuava cativo dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para sempre dela (como lhe havia prometido).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-114011162066984921?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/114011162066984921/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=114011162066984921' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/114011162066984921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/114011162066984921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2006/02/como-lhe-havia-prometido.html' title='Como lhe havia prometido'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-113996798940852094</id><published>2006-02-15T01:45:00.000Z</published><updated>2006-02-15T01:48:13.036Z</updated><title type='text'>How Can You Mend A Broken Heart? (Bee Gees)</title><content type='html'>Para ti nós são laços quebrados&lt;br /&gt;Mas para mim nós ainda fazemos sentido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-113996798940852094?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/113996798940852094/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=113996798940852094' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/113996798940852094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/113996798940852094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2006/02/how-can-you-mend-broken-heart-bee-gees.html' title='How Can You Mend A Broken Heart? (Bee Gees)'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-113992844923574588</id><published>2006-02-14T14:36:00.000Z</published><updated>2006-02-14T14:47:29.280Z</updated><title type='text'>Quero tanto</title><content type='html'>Que sou eu? Quem sou eu? Que faço? Porque faço?&lt;br /&gt;Só, tão só&lt;br /&gt;Mau, tão mau...&lt;br /&gt;Porquê? Podia ser melhor? Podia ser feliz?&lt;br /&gt;Podia, podia e não consigo...&lt;br /&gt;Tento ou se calhar já nem tento&lt;br /&gt;Que importa?&lt;br /&gt;Mas quero, quero muito&lt;br /&gt;Ou às vezes quero muito&lt;br /&gt;E não consigo, e não consigo...&lt;br /&gt;Ser melhor, ser maior, ser brilhante&lt;br /&gt;Ser, quero ser, não quero diluir-me em banalidades&lt;br /&gt;Infidelidades, compromissos, cedências nojentas&lt;br /&gt;Porcas, nojentas, porcas...&lt;br /&gt;Quero ter coragem, quero querer&lt;br /&gt;Não sei o que quero mas quero&lt;br /&gt;Às vezes quero, outras vezes já nem sei&lt;br /&gt;Mas quero, quero muito&lt;br /&gt;Quero saber porquê?&lt;br /&gt;O que me falta?&lt;br /&gt;Falta-me um pedacinho tão grande&lt;br /&gt;Falta-me eu, um bocadinho enorme&lt;br /&gt;Falta-me uma asa, uma cauda, uma alma.&lt;br /&gt;Porquê?&lt;br /&gt;Julgo-me importante mas nada&lt;br /&gt;Sou nada, isso é o que eu sou&lt;br /&gt;Importante para mim e rio-me&lt;br /&gt;Rio-me porque julgo que sofro&lt;br /&gt;Estúpido egocêntrico!&lt;br /&gt;Sofro porque me rio, de mim&lt;br /&gt;E às vezes choro, imploro&lt;br /&gt;Tempos melhores, melhores sortes&lt;br /&gt;Outros amores&lt;br /&gt;Outros amores&lt;br /&gt;Novas dores,&lt;br /&gt;Inevitável?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque me conheço?&lt;br /&gt;Porque me sei?&lt;br /&gt;Sei-me oco, sei-me ridículo.&lt;br /&gt;Se ao menos não soubesse&lt;br /&gt;Se ao menos fosse avestruz&lt;br /&gt;Fosse galinha, fosse camaleão&lt;br /&gt;Fosse doutro tempo e doutro lugar&lt;br /&gt;Fosse de onde não se sabe o que se é&lt;br /&gt;Fosse eu outro&lt;br /&gt;Então talvez fosse eu.&lt;br /&gt;Que estupidez, que desperdício&lt;br /&gt;Que suplício&lt;br /&gt;Dor-amor&lt;br /&gt;Não faz sentido,&lt;br /&gt;Mas para mim faz&lt;br /&gt;Só para mim faz&lt;br /&gt;Que conheço eu, que sei eu?&lt;br /&gt;Para além das minhas fronteiras&lt;br /&gt;Sou toupeira, sou morcego&lt;br /&gt;Não sou.&lt;br /&gt;Continuar porque sim?&lt;br /&gt;E tenho escolha, não tenho escolha&lt;br /&gt;Vivo porque que mais se há-de fazer?&lt;br /&gt;E gosto de viver, gosto do mar&lt;br /&gt;Gosto do sol, gosto de alguns olhos&lt;br /&gt;De algumas melodias&lt;br /&gt;Gosto de algumas almas.&lt;br /&gt;Pena estar sufocado, pena não me lembrar&lt;br /&gt;Não me lembrar do sal de um beijo&lt;br /&gt;Pena não me lembrar do sol de um sorriso&lt;br /&gt;Pena estar asfixiado, pena custar-me respirar&lt;br /&gt;Mas que pena!&lt;br /&gt;Tenho tanta pena minha que rebento em gargalhadas&lt;br /&gt;Que pobrezinho sou, que coitadinho!&lt;br /&gt;Apetece-me bater-me sempre que cedo&lt;br /&gt;Sempre que desisto.&lt;br /&gt;Desfazer-me em pancada para não me desfazer em sal&lt;br /&gt;Destroçar-me&lt;br /&gt;Destroçar-me, agora por fora&lt;br /&gt;Desconstruir-me, agora por fora&lt;br /&gt;Desfazer-me, agora e para sempre&lt;br /&gt;Por fora, por dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonho com outro eu mas impossível&lt;br /&gt;Dizem-me impossível&lt;br /&gt;Sei-me outro impossível.&lt;br /&gt;Então, numa noite escura de desespero&lt;br /&gt;Fria&lt;br /&gt;Numa noite fria de desespero&lt;br /&gt;Encontrei-me com uma imagem minha&lt;br /&gt;E quis ser eu&lt;br /&gt;Quis ser eu ali, naquela imagem&lt;br /&gt;Naquela noite&lt;br /&gt;Escura&lt;br /&gt;Quis ser&lt;br /&gt;Por isso sou&lt;br /&gt;Estou&lt;br /&gt;Pudesse eu não ser&lt;br /&gt;Mas que fazer?&lt;br /&gt;Queria tanto ter outra oportunidade&lt;br /&gt;Às vezes queria tanto&lt;br /&gt;Voltar atrás&lt;br /&gt;Voar atrás, viver para trás&lt;br /&gt;Para voltar e ser eu&lt;br /&gt;Aquele que eu quero ser e não aquele que eu sou&lt;br /&gt;Para voltar e ser eu&lt;br /&gt;Brilhar, brilhante&lt;br /&gt;Tão completo, com tanto sentido&lt;br /&gt;Sem dor-amor&lt;br /&gt;Comigo&lt;br /&gt;Queria tanto&lt;br /&gt;Às vezes queria tanto&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-113992844923574588?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/113992844923574588/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=113992844923574588' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/113992844923574588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/113992844923574588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2006/02/quero-tanto.html' title='Quero tanto'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-113978699268087767</id><published>2006-02-12T23:24:00.000Z</published><updated>2006-02-12T23:33:28.133Z</updated><title type='text'>Senti-me feliz, momentaneamente feliz</title><content type='html'>Acordei cedo e fui até à marginal. Apetecia-me ar, apetecia-me o mar. O dia não estava com boa cara: nublado, frio, a ameaçar chuva a qualquer momento. Mas agasalhei-me bem, meti-me no carro e cheguei rapidamente. Era muito cedo, andava pouca gente na rua, não havia trânsito e foi fácil arranjar estacionamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a andar lenta, vagarosamente, fui andando ao longo do passeio, paralelamente à praia, embora me apetecesse fazer como as gaivotas e andar em círculos. O cheiro da maresia era apenas pressentido, vindo na aragem fria que me enregelava o cérebro. Tentei agasalhar-me melhor, estreitei o cachecol ainda mais à volta da cara, abotoei o casaco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre me fascinou o mar. É tanto. Muitas vezes, é tudo. Hoje era um desses dias. Não resisti, entrei na praia, descalcei-me, senti a areia nos pés e pensei como era bom sentir a areia nos pés. Fui em direcção ao mar. Era um chamamento, não consegui resistir, o mar atrai-me como um magneto atrai o ferro. As gaivotas estavam hoje particularmente activas. Será que havia peixe ali por perto? Não sei, sei só que andavam muitas, muitíssimas gaivotas em suaves bailados, ora subindo ora descendo, ora para a esquerda ora para a direita, e também essa dança me parecia encantatória, hipnótica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já bem perto da água, era agora o cheiro da maresia que se me impunha, enchia-me os pulmões de ar fresco e alimentava-me o âmago. Senti que realmente me poderia alimentar deste ar fresco de sal, de mar, de vida. Inalei o mais que pude e senti-me feliz, momentaneamente feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste estado de quase transe, pus-me a escutar. Não havia muito para ouvir, o tempo frio afastava as pessoas e a praia estava praticamente deserta. O piar das gaivotas, sim, o piar das gaivotas ia cortando o silêncio; também o barulho de um ou outro carro, ao longe, era perceptível; mas havia um barulho mais forte, mais sereno, mais suave: a melodia doce das ondas que se espraiavam na areia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puxei as calças e fui molhar os pés. A água estava fria, muito fria, e soube-me tão bem sentir a água fria nos pés. Fiquei à espera da próxima onda, fiquei à espera de que me voltasse a molhar, e depois da próxima e da próxima e da próxima... Aproveitei para molhar também as mãos e levei um pouquinho de água aos lábios. Ah, o sal... E senti-me feliz, momentaneamente feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abri os braços, respirei fundo, olhei para o mar lá longe e senti-me crescer. Senti que algures cá dentro houve uma flor que se abriu para o sol. Senti uma luz que se acendeu. Senti uma fogueira que se ateou. Senti-me mais alto, mais forte, mais importante. Nesse momento, um raio de sol conseguiu atravessar as nuvens e foi iluminar a prata do mar, fazendo-o faiscar. Percorreu o seu caminho ao longo da imensidão do oceano e chegou até mim, iluminando o meu estanho, fazendo-me cintilar. Estava resplandecente, achei que deveria estar resplendoroso, cheguei a temer encandear os carros que passavam lá em cima na rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a correr ao longo da praia, o vento frio a alimentar-me o diafragma, a água a baptizar-me ciclicamente, o sol a aquecer-me as costas. Corri, corri, corri... sentia que se corresse o suficiente poderia dar um salto no tempo, poderia avançar, queimar etapas, deixar o antigo eu para trás, abraçar-me lá à frente, ao meu novo eu. Portanto corri, corri, corri... e sentia-me feliz, momentaneamente feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O raio de sol foi abafado pelas nuvens e eu cansei-me. Os pés doíam-me, estavam gelados e também arranhados pela areia grossa. Havia mais carros na rua, fazendo barulho, e algumas pessoas passeavam pela marginal olhando para mim, perplexas. As gaivotas voaram para longe, o mar alterou-se, ficando mais hostil, e começou a chover. Sentei-me cansado, mesmo muito cansado. Senti-me cansado, mesmo muito cansado. Ainda a arfar, lamentei não ter conseguido dar um salto no tempo e amaldiçoei o meu eu que me agarrou, sugou, impediu de voar. Ao longe, ainda bem longe, vi o meu novo eu que voava junto com as gaivotas, brincava em círculos, dançava aleatoriamente, investia na vertical, planava para descansar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E senti-me infeliz, eternamente infeliz...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-113978699268087767?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/113978699268087767/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=113978699268087767' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/113978699268087767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/113978699268087767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2006/02/senti-me-feliz-momentaneamente-feliz.html' title='Senti-me feliz, momentaneamente feliz'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-113958124369270347</id><published>2006-02-10T14:17:00.000Z</published><updated>2006-02-10T14:20:43.693Z</updated><title type='text'>Pelos teus olhos</title><content type='html'>Eu amava o mundo&lt;br /&gt;porque o via pelos teus olhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que eles se me fecharam&lt;br /&gt;o mundo voltou a ser cinzento&lt;br /&gt;Melancólico&lt;br /&gt;Cinzento&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-113958124369270347?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/113958124369270347/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=113958124369270347' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/113958124369270347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/113958124369270347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2006/02/pelos-teus-olhos.html' title='Pelos teus olhos'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-113936751731004398</id><published>2006-02-08T02:29:00.001Z</published><updated>2006-02-08T03:01:36.256Z</updated><title type='text'>Desisto</title><content type='html'>Hoje pensei que seria talvez melhor fugir. Não sei, não sei porquê, não sei para onde, mas fugir, fugir, fugir... Não consigo mais encontrar-me, ver-me, confrontar-me, não aguento mais, não posso mais, pensei. Vou fugir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois... depois desisti, claro. Como de costume. Como sempre. Mas temo que não aguente mais. Queria poder demitir-me, exilar-me, ostracizar-me. Como dantes, desisti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que quero fugir: não aguento mais desistir. Desisto! Não posso mais aturar a minha incapacidade. De ser, de viver, de tentar. Talvez começar de novo?... Não, seria penoso. Demasiado penoso. Seria demasiado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irrito-me comigo na mesma proporção em que me idolatro. Os outros, ah, os outros, não percebem nada, não vêem nada, nada nada. Nada. Eu, eu, sim, eu, só eu, eu sei! Eu sei e preferia não ser, perdão, não saber, preferia a inconsciência. Preferiria? Não sei. E irrito-me por não ser, quero dizer, por não saber. Quem não sabe é como quem não é. E quem é, sabe. E eu não sei nada. E os outros não sabem nada. Nada nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, não obstante, gosto de mim. Por vezes. Quase sempre. Não agora, claro, porque agora detesto-me, odeio-me. Acho que me detesto desde que me conheço. Desde sempre? Não sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ao menos me compreendessem... Me compreendessem e me traduzissem e me explicassem e me iniciassem. Podia então ser porquê. Queria dizer, saber porquê. Acho que sim, que queria dizer... Quer dizer, eu normalmente não sou muito. Já o tinha dito. Aliás, não sou nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, não. Afinal, o que tinha dito é que era muito, ou melhor, sabia muito. Demasiado. E que queria não ser. Ou não saber, é o mesmo. Preferia a não existência, diga-se, a ignorância. Não, o desconhecimento. Preferia o desconhecimento. Por que o disse, não sou. Não me compreendo. Não importa! Prefiro o desconhecimento. A des-existência. Minha velha conhecida. A desistência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a desistência, tenho-a. Sou-a. Agora a des-existência, eu que existo tanto? Eu que me imponho tanto, todos os dias, tão agressivamente, a mim? E, porém, não existo. Porque os outros, ah, os outros... Fossem eles inteligentes, ao menos. Persistem apenas em ser e contentam-se em ser e regozijam-se por serem e são. E impõem-se-me. E eu não se me lhes imponho. Persisto e contento-me e regozijo-me com a minha auto-imposição. Que me dói...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, numa palavra, desisto! Não, em três palavras di-lo-ei melhor: fugir, fugir, fugir! Mas para onde, se me encontro?... Encontro-me? Suprema ironia! Encontrar-me pudesse eu, esquecer-me pudesse eu... Pudesse eu. Que não posso. Já não posso. Não sei se alguma vez pude. Não sou, não sou nada. Ou sou tudo e quem sabe tudo, não sabe nada. Gostava de conseguir explicá-lo. Gostava de conseguir. Mas forças já não tenho, alguma vez tive? Desconheço. Já o tinha dito. Não sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque sou muito. Porque sou demasiado, sei demasiado. E se fosse só eu, ao menos. Eu comigo. Um universo feito de mim. De mim comigo. De mim para mim. Se assim fosse, ao menos. Mas tudo tinha de ser feito ao mais, aos outros! Ah, os outros... Como me ferem! Menos do que eu a mim, bem entendido. Mas ainda assim, muito. Demasiado. Penoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Des-existo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-113936751731004398?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/113936751731004398/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=113936751731004398' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/113936751731004398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/113936751731004398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2006/02/desisto.html' title='Desisto'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-106962590009472279</id><published>2003-11-23T22:18:00.000Z</published><updated>2006-02-13T20:32:42.326Z</updated><title type='text'>Trilho da Ternura</title><content type='html'>Passei a minha mão por sobre o teu seio&lt;br /&gt;E senti ali confluir toda a energia de uma paixão&lt;br /&gt;Na tua boca procurei o sopro da vida&lt;br /&gt;E encontrei&lt;br /&gt;Sei-o&lt;br /&gt;O vício de te amar repetidamente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parar?&lt;br /&gt;Talvez&lt;br /&gt;Só para ter o prazer de retomar&lt;br /&gt;Reiniciar o trilho da ternura&lt;br /&gt;Subindo por entre rios de júbilo&lt;br /&gt;Até ao cume&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gritei e ouvi o eco&lt;br /&gt;Teu&lt;br /&gt;Senti-me importante porque contigo&lt;br /&gt;Porque juntos&lt;br /&gt;Nós&lt;br /&gt;Que não desatam&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exaustos iniciámos a descida&lt;br /&gt;E trememos de volúpia&lt;br /&gt;Antevendo&lt;br /&gt;Pressentindo&lt;br /&gt;Escaladas lentas até ao cume&lt;br /&gt;No vício de nos amarmos&lt;br /&gt;Repetidamente&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-106962590009472279?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/106962590009472279/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=106962590009472279' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/106962590009472279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/106962590009472279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2003/11/trilho-da-ternura.html' title='Trilho da Ternura'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-106911404464516575</id><published>2003-11-18T00:07:00.000Z</published><updated>2006-02-13T20:33:04.943Z</updated><title type='text'>O Sofá de Johnny</title><content type='html'>Johnny estava em casa, a ler um livro. As suas aulas tinham já acabado por aquele dia e não lhe apetecia encetar, tão cedo, o estudo diário. Estava um dia chuvoso, frio, inóspito. Lá fora. Porque dentro de sua casa respirava-se um ar quente de confiança, de paz. Chamam-lhe lar.&lt;br /&gt;O livro que estava a ler não conseguia prender-lhe completamente a atenção: era uma biografia de Richard Feynman, um físico americano laureado com o Prémio Nobel em 1965. Não porque a obra fosse enfadonha, pelo contrário, mas muito simplesmente porque hoje Johnny não conseguia concentrar-se devidamente. Fechou então o livro e espreguiçou-se no sofá.&lt;br /&gt;Pensou na Joana, sua colega de escola. Desejou que ela estivesse ali. Que vontade de a ter por perto, de falar com ela, de a abraçar, de beijar-lhe os lábios. Que vontade... ali, estendido no sofá, a Joana era dele e ele acariciava-a cuidadosamente, desviava-lhe os cabelos da face, desvendava-lhe o sorriso, surpreendia-se com o brilho nos olhos da sua musa, aspirava-lhe o hálito a amor. Quente, poderoso. Ali, no sofá.&lt;br /&gt;Acordou da sua letargia com o barulho, subitamente forte, da chuva a açoitar as janelas da sala. Balde de água fria. Levantou-se para observar o espectáculo do temporal e perdeu algo. Doeu-lhe. De pé, junto à janela, ele sabia que, ali, a Joana já não era dele. Nem junto à mesa da sala de jantar. Tão pouco na cozinha ou no quarto ou na garagem. Nem fora de sua casa, na escola, no autocarro ou no cinema. Em lado nenhum. Em lado nenhum excepto no sofá - no seu sofá.&lt;br /&gt;Aos dezassete anos, o seu reino resumia-se a um conjunto de molas gastas e velhas, coroadas por almofadões de couro. Velho e gasto. Voltou ao sofá, com o objectivo de recuperar a sua musa, mas o encanto havia-se quebrado e também ali ela já não se encontrava. Não se preocupou excessivamente; sabia que isso acontecia de forma cíclica. Como qualquer deusa, também a sua Joana tem direito às birras e aos caprichos que nós, seres inferiores, consideramos demonstrações de carácter divino e de personalidade celestial. Também ela tem direito a ausentar-se de quando em vez, de cuidar das suas coisinhas, de ter a sua privacidade, de se recolher ao seu sofá. Ao seu sofá?!&lt;br /&gt;De repente, Johnny sentiu o seu estômago atravessado por uma espada de gelo. Ocorrera-lhe que também Joana teria o seu sofá - ou talvez fosse uma cadeira ou um banco ou a cama, não importa -, onde se encontraria com o seu deus. Um deus com certeza forte, imponente, espirituoso, inteligente, alegre, descomplexado, extrovertido. Não um rapazinho misantropo, tímido, com medo de ser feliz e mesmo a jeito para que as coisas más lhe aconteçam, como ele sentia que era. E o problema era ele sentir que era.&lt;br /&gt;Saber! Crueldade suprema! Como desejava Johnny não saber, não perceber, não se rir ao espelho da sua alma... como desejava ele! Se não podia ser um deus, como ele achava que a Joana gostaria que fosse, então, pelo menos, que lhe fosse vedado o conhecimento, a sabedoria, a realidade. Que fosse brindado com a ignorância, com o alheamento. Desde que não soubesse...&lt;br /&gt;Com raiva, virou as costas ao temporal que grassava lá fora, pegou no livro que estivera a ler e atirou-o violentamente contra a parede, e abandonou-se com estrondo no sofá - no seu sofá.&lt;br /&gt;Estava sol, estava um dia quente, e a Joana estava ali, a seu lado, olhando-o com carinho. Johnny acariciou-a cuidadosamente, desviou-lhe os cabelos da face, desvendou-lhe o sorriso, surpreendeu-se com o brilho nos olhos da sua musa, aspirou-lhe o hálito a amor. Poderoso, quente. Ali, no sofá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-106911404464516575?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/106911404464516575/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=106911404464516575' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/106911404464516575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/106911404464516575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2003/11/o-sof-de-johnny.html' title='O Sofá de Johnny'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-106881944324701729</id><published>2003-11-14T14:17:00.000Z</published><updated>2006-02-13T20:33:23.850Z</updated><title type='text'>A Derrota da Ideia</title><content type='html'>As palavras ribombam com prazer másculo&lt;br /&gt;Nos devaneios de um cérebro frágil&lt;br /&gt;E revoluteiam-se e rebelam-se e fundem-se&lt;br /&gt;Em orgásticos festins de sons significados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As ideias vergam-se ao poder despótico&lt;br /&gt;Das formas castradoras cerceantes fúteis&lt;br /&gt;De palavras que significam pouco mais que nada&lt;br /&gt;De sons que deixam tudo por dizer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta luta quotidiana insana esquizofrénica&lt;br /&gt;Em que o cérebro frágil se verga vencido&lt;br /&gt;Ficam os restolhos de uma vã existência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais reais porém que palavras ribombantes&lt;br /&gt;Que eclodem num fátuo festim de som&lt;br /&gt;E silenciam partes das entranhas estranhas&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-106881944324701729?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/106881944324701729/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=106881944324701729' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/106881944324701729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/106881944324701729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2003/11/derrota-da-ideia.html' title='A Derrota da Ideia'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-106847294557876373</id><published>2003-11-10T14:02:00.000Z</published><updated>2006-02-13T20:33:46.010Z</updated><title type='text'>Sopro de Vida</title><content type='html'>Levantei-me hoje cedo só para poder desfrutar do dia. Que sorte haver dias tão magníficos, aqui, à mão de semear, para nós os podermos gozar em toda a sua plenitude. Estava um tempo espantoso, o céu azul salpicado aqui e ali por pequenas nuvens brancas a fazer lembrar cordeirinhos tresmalhados do rebanho. Sim, abri a janela de par em par, respirei fundo, e lembrei-me do que a minha amiga Enid dizia de céus como este: &lt;em&gt;O dia parece que acabou de chegar, fresquíssimo, da lavandaria&lt;/em&gt; . Acabou de chegar, lavadinho, novo, só para nós o podermos utilizar.&lt;br /&gt;Viver apetece mais em dias como este. Passei toda a manhã deslumbrado com a beleza do sol, com a frescura da brisa meiga que me acariciava a face ao ritmo de ondas suaves a espraiarem-se indolentemente no areal molhado, com o chilrear dos pássaros que davam o tom aos meus pensamentos, pretendidos melodiosos. Passeei por entre as flores, jardins de flores, de várias cores, de várias formas, com os mais diversos perfumes... que pena eu não saber o nome das flores; não que desconhecendo o seu nome, a sua beleza saia minimamente diminuída aos meus olhos. Pelo contrário, sem saber o nome daquela flor tão bonita o meu cérebro só se preocupa em apreciar as suas formas, o seu desenho, a sua cor, sentir o cheiro doce que emana, apreciar a harmonia do conjunto; não perde tempo em tentar lembrar-se do nome da flor nem em catalogá-la imediatamente (sabe à partida que tal esforço é inútil). De qualquer forma, assim é mais difícil partilhar a beleza das coisas: para quem me ouve, não é igual eu dizer que vi uma linda flor em vez de dizer que vi uma linda tulipa ou um lindo cravo ou uma linda camélia ou o que seja.&lt;br /&gt;Se calhar, vou ter que aprender o nome das flores só para que quem me ouça possa perceber o alcance das sensações de que desfrutei ao contemplá-las. Para mim, não é importante etiquetá-las; mas o que é deveras importante é fazer chegar aos outros os meus sentimentos, fazer com que eles apreendam na plenitude (na extensão e no rigor) os meus pensamentos e emoções, nomeadamente quando contemplo uma flor belíssima mas cujo nome ignoro. Tarefa que - mais do que árdua - é inglória... e não me refiro já ao campo (deveria dizer jardim?) das flores pois esta é uma limitação que - algo paradoxalmente - se estende a muitas outras situações.&lt;br /&gt;Na verdade, vemo-nos frequentemente perante a incapacidade de conseguir transmitir aos outros aquilo que pensamos. As palavras são limitadas e nunca encaixam perfeitamente naquilo que sentimos porque é impossível definir toda uma plêiade de sensações, emoções, afectos, gostos, impressões numa só palavra, numa frase que seja. É amor o que sinto? Não sei... é algo tão forte, tão magnífico, tão complexo, tão profundo, tão arrasador, tão bonito que não consigo descrever. E depois, a palavra amor o que significa? Amor, amar, amo-te... conseguem estas palavras exprimir o que sinto? Tudo aquilo que sinto resume-se à palavra amor? ‘Amo-te’ é tudo aquilo que eu tenho aqui dentro para te dizer? Como verbalizar toda a caterva de outros sentimentos que estão cá dentro e que me extravasam sempre que estou contigo?&lt;br /&gt;Impossível, eu sei... possam os meus olhos dizer-to, possam as minhas mãos falar-te, possa a minha boca insuflar-te o sopro da minha vida... que é tua.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-106847294557876373?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/106847294557876373/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=106847294557876373' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/106847294557876373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/106847294557876373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2003/11/sopro-de-vida.html' title='Sopro de Vida'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-106822214660733636</id><published>2003-11-07T16:22:00.000Z</published><updated>2006-02-13T20:34:16.326Z</updated><title type='text'>Tristeza</title><content type='html'>O rapaz estava deitado no chão&lt;br /&gt;Palha na boca&lt;br /&gt;Triste&lt;br /&gt;Sem alma&lt;br /&gt;Sou eu que o sinto&lt;br /&gt;Olhava a lua&lt;br /&gt;As estrelas&lt;br /&gt;Contava os segundos&lt;br /&gt;Para nada&lt;br /&gt;Estava porque não podia não estar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou-me e disse-me&lt;br /&gt;Nada&lt;br /&gt;Que tenho para dizer?&lt;br /&gt;Suspirou e fez um gesto&lt;br /&gt;De resignação&lt;br /&gt;Quando a chuva começou&lt;br /&gt;Não se mexeu&lt;br /&gt;E respirou-a nos poros&lt;br /&gt;Podia abrigar-se&lt;br /&gt;De quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei-me a seu lado&lt;br /&gt;Olhei a lua&lt;br /&gt;Que já se tinha ausentado&lt;br /&gt;E ele começou a murmurar&lt;br /&gt;Cantigas de antanho&lt;br /&gt;Falavam da noite&lt;br /&gt;Da sorte&lt;br /&gt;Da melodia da chuva&lt;br /&gt;Falavam&lt;br /&gt;Falavam de nós&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempos&lt;br /&gt;Outros tempos&lt;br /&gt;Em que corríamos&lt;br /&gt;Sentíamos&lt;br /&gt;Vivíamos&lt;br /&gt;A cara molhada pela chuva&lt;br /&gt;Olhou-me&lt;br /&gt;Podia acabar com tudo&lt;br /&gt;Desistir de ser eu&lt;br /&gt;Para quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um de nós pediu desculpa&lt;br /&gt;Ao outro de nós&lt;br /&gt;Mas as palavras foram sufocadas&lt;br /&gt;Pelo trovão&lt;br /&gt;Que cortou a paz&lt;br /&gt;Atingido por um relâmpago&lt;br /&gt;Levantou-se de repente&lt;br /&gt;Correu pela escuridão&lt;br /&gt;Na ânsia de sentir&lt;br /&gt;A dor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afastou-se tentando apanhar as estrelas&lt;br /&gt;Subir à lua&lt;br /&gt;Apanhar a chuva no peito&lt;br /&gt;Mas sabia-se tarde&lt;br /&gt;Não precisou de contar os segundos&lt;br /&gt;Fiquei sozinho à chuva&lt;br /&gt;Porque parei de correr?&lt;br /&gt;Ele havia de voltar&lt;br /&gt;E eu desejei que ele não voltasse&lt;br /&gt;Para quê?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-106822214660733636?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/106822214660733636/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=106822214660733636' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/106822214660733636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/106822214660733636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2003/11/tristeza.html' title='Tristeza'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6028013.post-106787187137932793</id><published>2003-11-03T15:04:00.000Z</published><updated>2006-02-13T20:34:43.350Z</updated><title type='text'>Ilhas e Pontes</title><content type='html'>É difícil, hodiernamente, ser-se coerente com a nossa personalidade e comportamento moral; numa altura em que a honestidade, a justiça e a honra são - mais do que palavras -atitudes e comportamentos em desuso, torna-se complicado adoptar uma moral, uma filosofia em que entrem aqueles valores sem nos sentirmos deslocados no espaço, quiçá no tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa era em que o sucesso individual está sobrevalorizado e em que a riqueza, a ambição, a promoção sócio-profissional são valores absolutos, isto é, são um fim em si mesmas, damos connosco a pensar se estamos desajustados da sociedade moderna ou se, por outro lado, esta mesma sociedade entrou numa crise de valores. A verdade é que somos hoje, cada vez mais, colocados perante situações para as quais as nossas respostas não poderiam ser mais díspares das dadas por partes significativas da sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É lícito roubar? Enganar o próximo? Usar de má-fé? Desviar dinheiro para contas pessoais? Não!... Não? Às vezes parece que sim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos nós sabemos de casos em que tais actos ficaram impunes e conhecemos pessoas que - apesar da sua moralidade duvidosa e dos seus comportamentos dúbios, no que à rectidão e à honestidade dizem respeito - são respeitadas e que, como sói dizer-se, venceram na vida. Apesar disso, achamo-nos incapazes de alguma vez proceder de forma análoga ou de adoptar comportamentos semelhantes e, portanto, julgamo-nos detentores de uma rectidão moral e de um comportamento à prova de qualquer reparo. Mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se espancar uma criança ou vê-lo fazer sem actuar? Recusar apoio aos desfavorecidos? Escorraçar etnias minoritárias da nossa vizinhança? Discriminar quem é diferente? Nada fazer para obviar ao sofrimento, à fome e às privações de tanta gente e de tantas e tantas crianças? Desprezar os fracos, os pobres, os doentes? Linchar, metafórica ou literalmente, pessoas antes de estas serem sujeitas a um julgamento justo e imparcial? Virar as costas aos desprotegidos, aos toxicodependentes, a todos aqueles que são um grão de areia na nossa máquina alucinante a que chamamos Vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lavamos daqui as nossas mãos porque não é connosco, não nos afecta directamente, porventura; no entanto, de alguns destes &lt;em&gt;pecados&lt;/em&gt; somos ou fomos, em alguma altura, culpados, sem excepção. Mas queremos viver a nossa vida, querida perfeita, de sucesso, porque supérflua e sem significado real, ou seja, sem conteúdo. Na era do dinheiro de plástico também os nossos sentimentos o são, as nossas emoções são fingidas e já não nos escandalizamos realmente com a pobreza nem nos indignamos já com a injustiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esquecemos muito facilmente - ou, se calhar, nunca aprendemos - a lição mais bonita da vida, nas palavras de John Donne: &lt;em&gt;Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do género humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sinos dobram já por nós!...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6028013-106787187137932793?l=cem-anos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cem-anos.blogspot.com/feeds/106787187137932793/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6028013&amp;postID=106787187137932793' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/106787187137932793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6028013/posts/default/106787187137932793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cem-anos.blogspot.com/2003/11/ilhas-e-pontes.html' title='Ilhas e Pontes'/><author><name>JLM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15412364857382878017</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
